Crítica | Lahai


★★★★

Letárgico e vibrante, Lahai é o escape de alívio que Sampha precisava sentir.

Grande parte do encanto de Sampha está em arranjos delicados, sublimes e envoltos por melancolia e vulnerabilidade. Temas como a morte e a fragilidade da saúde tentam sufocá-lo desde o princípio, e seu trabalho sempre funcionou como um escape polido e livre de eufemismos para extravasar a complexidade emocional de suas inquietudes.

Lahai consegue mudar as perspectivas sem suprimir suas habilidades mais sensíveis. Homenageando o seu avô com o título, Sampha está disposto a curar suas dores de maneira menos abrasiva e turva. “Spirit 2.0”, primeiro single e grande destaque do álbum, representa bem o seu espírito nesse momento, deslizando entre metáforas que descrevem a sensação de leveza, de estar flutuando no ar.

Aqui, o piano, seu melhor amigo e elemento basilar da sua sonoridade característica, está articulado com elementos do UK bass e do future garage. Mesmo que a introspecção e os seus fantasmas ainda persistam, ele agora vê o mundo com novas cores e está pronto para abrir suas asas, se perder na imensidão do céu e ser levado pelas ondas do mar. É uma nova fase artística para Sampha, e isso não poderia empolgar mais.

Selo: Young
Formato: LP
Gênero: R&B


Felipe

Graduando em Sistemas e Mídias Digitais, com ênfase em Audiovisual, e Estagiário de Imagem na Pinacoteca do Ceará. É editor do Aquele Tuim, contribuindo com a curadoria de Música do Continente Africano.

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