Clássicos do Aquele Tuim | “Ditto” (2022)


★★★★★

“Ditto” é o grande marco definidor de NewJeans.

Em agosto do ano passado, um acontecimento sacudiu as estruturas do ecossistema da música sul-coreana: a estreia oficial de NewJeans. Foram meses de encanto com as suas músicas e sua abordagem refrescante, que contemplou a estética revival dos anos 2000 com maestria e parecia preencher várias das lacunas que se abriram dentro do k-pop.

“Ditto”, no entanto, pegou o público de surpresa. Lançado uma semana antes do Natal, o primeiro comeback do grupo chegava numa envelopagem aparentemente simples, mas que atingiu o nosso calcanhar. A música retrata um acontecimento quase canônico da adolescência: o ato de se apaixonar. O eu-lírico derrama a sua paixão em um tom confessional, que anseia por um romance genuíno e recíproco.

Nostalgia é a palavra ideal para definir a faixa. Os primeiros segundos são demarcados pelos “ooh-ooh” de Hyein, que causam arrepios na espinha. A base da instrumentação é formada por uma percussão quase minimalista, com inspirações indiretas em baltimore club, que se inebria com as melodias e efeitos de fundo que são atmosféricos, totalmente abertos. Ela é movida pela inquietude de fim de ano, que carrega consigo os ares de introspecção e, principalmente, de saudade.

É primordial, também, relatar a importância das suas peças audiovisuais, pois isso catalisou o caráter atemporal da música, que veio de maneira quase instantânea. Os seus dois videoclipes, guiados a partir dos vídeos em fita cassete da protagonista Ban Heesoo, aumentam o escopo da narrativa abordada. Temos, no centro, o retrato da solidão e das relações parassociais. É triste e, ao mesmo tempo, aconchegante.

“Ditto” é aquele tipo de música que, desde o princípio, você sabe que é especial. A sua construção é permeada por aspectos que a conceberam um lugar único na discografia do NewJeans e, claro, no k-pop de maneira geral. Um verdadeiro clássico instantâneo.

Selo: ADOR
Formato: Single
Gênero: K-Pop
Felipe

Graduando em Sistemas e Mídias Digitais, com ênfase em Audiovisual, e Estagiário de Imagem na Pinacoteca do Ceará. É editor do Aquele Tuim, contribuindo com a curadoria de Música do Continente Africano.

Postagem Anterior Próxima Postagem