Crítica | Turnê Cedo ou Tarde - São Paulo


★★★★

O show de encerramento da turnê Cedo ou Tarde do NX Zero no Allianz Parque não foi apenas um concerto, mas uma jornada através do tempo e das emoções.

Ao som de acordes familiares e letras que ecoam memórias de uma época passada, NX Zero fez um retorno triunfante aos palcos após seis longos anos de ausência. A noite do último sábado (16) marcou um capítulo especial na história da banda, que escolheu o Allianz Parque como palco para o que prometia ser uma despedida da turnê do reencontro que se iniciou no meio desse ano. O evento, que trouxe à tona uma inegável sensação de nostalgia, foi repleto de surpresas tanto para os músicos quanto para o público que lotou o estádio.

A atmosfera nostálgica começou a se desenhar desde os primeiros acordes do show. O setlist cuidadosamente elaborado mergulhou nas profundezas da discografia da banda, resgatando sucessos que se tornaram trilha sonora de muitas vidas. Abrindo a noite com uma explosão de energia, "Só Rezo", "Daqui pra Frente" e "Bem ou Mal" incendiaram o público, transportando-os de volta a uma época em que o NX Zero dominava os corações dos jovens. O momento inicial do espetáculo também foi marcado por escolhas significativas, como a execução de "Onde Estiver", "Inimigo Invisível", com a introdução de "Mentiras e Fracassos", e a introdução de "Cedo ou Tarde", apresentando o discurso emocionante de Chorão. "Círculos", precedido pelo brilhante solo de baixo de Caco, foi uma jogada genial ressaltando a maestria musical da banda.

Um destaque especial foi a criação de um pequeno palco à esquerda do estádio, próximo à pista comum. Aqui, NX Zero proporcionou um momento acústico um tanto intimista, com músicas como "Incompleto", "Fração de Segundo", "Marcas de Expressão", "Silêncio" e "Cartas para Você". O estádio se transformou em um mar de luzes de lanternas enquanto a emoção fluía e envolvia cada espectador. Este momento também reservou surpresas especiais para os fã-clubes, atendendo aos pedidos fervorosos daqueles que clamavam por determinadas canções. Além disso, o inesperado pedido de casamento de Jéssica e Beatriz, com Di Ferrero abençoando o amor no palco, adicionou um toque de doçura ao momento especial.

A terceira fase do show trouxe consigo uma explosão de energia contagiante, com "Hoje o Céu Abriu", "Vamos Seguir" e "Pedra Murano" destacando o virtuosismo da bateria de Dani, de modo parecido com "Ligação" e "Não É Normal". Quando todos pensavam que a jornada havia chegado ao fim, a banda retornou ao palco para a catártica "A Melhor Parte de Mim", um momento introspectivo que se reverberou com memórias e emoções. A intensidade continuou com "Além de Mim" e "Razões e Emoções", fazendo o estádio entrar em êxtase.

A diversidade etária na plateia era notável, revelando uma característica única do fenômeno que bandas como o NX Zero representam. Ao perguntar quantos ali presentes estavam assistindo ao show pela primeira vez, a maioria esmagadora levantou as mãos. Esse fenômeno reflete a tendência observada em outras bandas que, após um hiato, atraem não apenas os fãs de longa data, mas também uma nova geração que agora tem a oportunidade de testemunhar ao vivo a influência que essas bandas tiveram em sua juventude.

O show de encerramento da turnê Cedo ou Tarde do NX Zero no Allianz Parque não foi apenas um concerto, mas uma jornada através do tempo e das emoções. A banda não apenas resgatou os clássicos que moldaram sua carreira, mas também criou novas memórias para uma legião de fãs que continuam a crescer. O reencontro nostálgico no palco foi mais do que um espetáculo musical; foi uma celebração da resiliência, da influência duradoura da música e, acima de tudo, do amor compartilhado entre a banda e seus seguidores.
Brinatti

Graduando em Ciências Sociais, com ênfase em Antropologia e Sociologia, 27 anos. É editor e repórter do Aquele Tuim, em que faz parte das curadorias de MPB, Pós-MPB, Música Brasileira e Pop.

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