Crítica | "Amanhã Será Melhor"


★★★

Acomodado ao convencional, Ashura aposta em uma jornada aguda e intimista ao elevar o glitch pop a um nível mais angelical.

Quatro anos após seu último EP, The Joy of Returning, Ashura segue com o primeiro single de uma série produzida nos últimos dois anos. Esse contato inicial conta com cortes vocais secos, pads congelantes e estratos transparentes de sintetizadores aconchegantes, influenciados pela sensação de segurança e conexão intensa de Ashura com suas figuras maternas: mãe e avó.

Quando a bateria chega por completo, a música revela suas raízes verdadeiras; mais focadas num estilo minimalista e distante do drum and bass, as texturas industriais se mesclam com a quentura dada pelas seções cortantes e a bateria lo-fi, assim criando um som cristalino e um ritmo contagiante. Entretanto, para além desses bons momentos, Ashura pouco faz para dar um sentido aos caminhos aleatoriamente escolhidos na progressão da faixa, de forma que a maior parte soe como uma introdução para uma conclusão que nunca chega.

Ademais, diferente de seu antigo EP, não há nenhum elemento na composição que indique um desejo real de atravessar qualquer barreira já imposta nos primeiros segundos da música — ter pouca bateria não é exatamente algo empolgante, muito menos persistir em melodias medianas. Enfim, tecnicamente a faixa demonstra sim uma melhora expressiva, mas, principalmente, ela no mínimo convida o ouvinte a ficar de olho nos próximos lançamentos de Ashura e da Matula Records, que demonstram um vasto e evidente potencial.

Selo: Matula Records
Formato: Single
Gêneros: Eletrônica / Glitch Pop, Indietronica, Minimal Drum and Bass
Sophi

Sophia, 18 anos, estudante e redatora no Aquele Tuim, em que faço parte das curadorias de Rap e Hip Hop e Experimental/Eletrônica e Funk.

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