Crítica | Apocalipse



★★★½

Em Apocalipse, a música clássica – ou a música erudita no contexto litúrgico ocidental – é muito bem reimaginada pelo funk, até certo ponto.

É natural da concepção do funk organizar, em seu próprio eixo, a fusão musical – ou pelo menos a união – daquilo que, em tese, faz pouco sentido como parte do gênero. Apocalipse, de DJ Duarte, MC GW & DJ TS, surge como forma de concretizar este raciocínio.

No álbum, a música clássica – ou a música erudita no contexto litúrgico ocidental – é reimaginada, utilizada ou mesmo violada, no melhor sentido, pelo funk. Porém isso não é, digamos, algo que tenha acontecido desde ontem, ou apenas com o beat bruxaria. “Bum Bum Tam Tam”, de MC Fioti, mostra ser o maior e mais definitivo exemplo dessa resignação gerada pelo funk, quando foi criada a partir de Bach.

Mas em Apocalipse há uma profundidade notável nesse sentido. O problema, no entanto, é que a ideia perde força no decorrer das faixas, e a variedade de interpolações deixa de existir do nada, não deixando explicações. É como se os artistas aqui envolvidos não obtivessem êxito na colagem de temas musicais que buscavam retratar como unidade, e essa falta de unidade faz com que a obra perca o seu maior proveito.

Selo: Prime Funk
Formato: LP
Gênero: Funk / Experimental
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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