Crítica | Numanice #3 (Ao Vivo)



★★★★

No melhor momento de sua carreira até então, LUDMILLA faz de Numanice #3 a edição mais importante do projeto de pagode.

LUDMILLA é uma das grandes potências da música pop nacional. Aos 28 anos, é admirável a sua trajetória de mais de uma década na qual, do funk ao pagode, raramente passa despercebida. E, apesar de volta e meia as decisões sobre os rumos de sua carreira serem equivocadas, não há dúvidas de que o Numanice foi – e é – uma das mais acertadas até então. Além de uma virada de chave que impulsionou o nome da artista para um novo segmento. Um passo arriscado, mas muito bem executado. E, nesta terça-feira, possivelmente o projeto, com sua terceira edição, atingiu seu momento de maior importância.

Numanice #3, nesse sentido, carrega ainda mais da essência de LUDMILLA se comparado aos seus antecessores. Conhecida por sua versatilidade, a artista não se limita somente ao pagode e abraça outros gêneros ao longo do disco, indo do R&B ao piseiro, além de uma ótima regravação de “Cedo ou Tarde”, clássico da banda de rock NX Zero. Isso também fica evidente na escolha das parcerias que compõem o álbum, que vão além da sonoridade principal das faixas. É o caso de Mari Fernandez e Carol Biazin, por exemplo.

Além disso, a cantora não se mostra preocupada apenas em gerar identificação com o público nesse projeto ao celebrar sua própria história na ótima “A Preta Venceu”. A canção narra todos os obstáculos que a carioca enfrentou para chegar onde está hoje, e é capaz de emocionar qualquer um que a acompanha desde o início de sua carreira musical, quando assinava como MC Beyoncé.

Tais mudanças, que embora afastem sutilmente o Numanice #3 das edições anteriores, não fogem das predileções do público. Os singles “Maliciosa” e “Falta De Mim” têm o mesmo apelo radiofônico que o smash “Maldivas”, e os números falam por si. Ademais, faixas como “Você Não Sabe O Que É Amor” e “1%” também são capazes de obter um êxito considerável.

No mais, só o tempo dirá se Numanice #3 é melhor ou pior do que os predecessores do projeto. Entretanto, já é possível cravar que é, sem dúvidas, o mais importante de sua carreira.

Selo: Independente
Formato: LP
Gênero: Música Brasileira / Pagode
Lucas Souza

Jornalista, escritor, noveleiro e movido a música desde que se entende por gente. Redator na Aquele Tuim e curador de MPB, Pós-MPB, Música Brasileira e Pop.

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