Crítica | Prelude To Ecstasy



★★★★

As divertidas influências de glam rock e a lírica que tece comentários fortes sobre a estrutura social machista torna Prelude To Ecstasy uma das obras de pop rock mais ilustres dos últimos tempos.

The Last Dinner Party tem uma história na indústria fonográfica bastante recente, começando a lançar singles ano passado. Embora tenha pouco tempo de atuação na cena, elas rapidamente chamaram atenção da crítica e seu disco de estreia recebeu diversas avaliações positivas de revistas. Pelo reconhecimento repentino do grupo, muitos começaram a se questionar se essas conquistas foram de forma natural ou se elas estariam, de alguma forma, sendo financiadas para estar nos holofotes.

Quer seja orgânico ou não, o sucesso de crítica surpreendente das artistas, Prelude To Ecstasy tem, de fato, um pouco do melhor do pop rock dos últimos tempos. Nas produções há muita coisa extremamente cativante. Em “Burn Alive”, sintetizadores estonteantes junto a riffs de guitarra e baixo fenomenais criam uma faixa muito divertida. Já “Beautiful Boy” apresenta uma estrutura progressiva bastante intrigante. Iniciando como um pop barroco com orquestra angelical, eles dão espaço a pianos doces e, logo após, transiciona para uma instrumentação rock um tanto quanto forte.

O fator que mais torna Prelude To Ecstasy refrescante sonoramente, no entanto, são as influências do glam rock apresentadas principalmente na performance da vocalista. A partir dela é entregue um caráter dramático típico do estilo musical que, além de mostrar algo de diferente dentro do cenário atual do pop rock, resulta, na maior parte das vezes, em algo fenomenal. “Caesar On A TV Screen” é uma das canções que melhor trazem essas influências, não só construindo essa excelente atmosfera teatral pelos vocais, mas também com a instrumentação tendo êxito em potencializar essa característica.

Mesmo nos momentos em que Abigail usa da sua voz de maneira mais próxima do convencional no pop rock, se afastando da intensa teatralidade do glam, o registro ainda exibe o seu profundo substrato de talento nesse aspecto. “On Your Side” consegue ser uma balada apaixonante, por exemplo, justamente pela performance trazer grande emoção.

Liricamente o que fascina é como o álbum tece comentários sobre a sociedade patriarcal na visão de uma mulher de forma bastante cativante. Alguns dos melhores momentos são os que mais ironizam o machismo. No pré-refrão de “The Feminine Urge”, por exemplo, elas afirmam de forma irônica terem a única função de satisfazer os desejos de seus parceiros: “Oh, pull your boots up, boys / And push me down / I’m only here / For your entertainment”.

Já em “Caesar On A TV Screen”, The Last Dinner Party zomba da fragilidade masculina e a necessidade extrema de se sentir amado para suprir essa vulnerabilidade. Tanto no som cativante inspirado no glam rock como na excelente lírica. Elas demonstram ser, desse modo, um nome extremamente promissor para o pop rock atual em sua estreia.

Selo: Island Records
Formato: LP
Gênero: Pop / Pop Rock, Rock
Davi Bittencourt

Davi Bittencourt, nascido na capital do Rio de Janeiro em 2006, estudante de direito, contribuo como redator para os sites Aquele Tuim e SoundX. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Pop e R&B.

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