Crítica | FANTASY EP1



★★★½

FANTASY EP1, de MARSHAWELL, conquista seus espaços entre o funk e a música eletrônica, fundamentando adequadamente suas irregularidades.

FANTASY EP1, de MARSHAWELL, conquista seus espaços entre o funk e a música eletrônica, fundamentando adequadamente suas irregularidades. À noite, o disco tem seus excelentes momentos posicionados na fragmentação, ou seja, na euforia programada da própria produção que aplaude a ruptura.

Da introdução com transição de “MASHO (intro :))” para “AUTOMOTIVE69” são testados uma infinidade de pequenos espaços sonoros cujo funk, na sua propriedade acessível, se perpetua — a repetição da base e a batida condensada ao ballrom, que se ajusta ao estilo automotivo, aumenta a persuasão de experimentar novas abordagens.

“She”, em parceria com Bjorkitos, mais voraz e definida em termos de produção, faz empréstimos interessantes. A começar pela posição vocal, que utiliza frases e versos quase satíricos, aqueles comuns em obras focadas no plunderphonics do funk, para serem usados em combustão com o mandelão, que se acentua ao criar, mais uma vez, uma atmosfera que instiga a dança. “Heəls”, conclui esta proposta quase em oposição ao que se baseia nos fragmentos apresentados como se fosse, a cada segundo, uma nova explicação.

Essa é, aliás, a força de “AVASSALADORA”, que soa inconclusiva ao usar propositalmente um final interminável, tão imprevisível que a diminuição repentina do som após a metade só serve para reforçar a dosagem fragmentada que cada ritmo aqui se propõe.

Selo: Independente
Formato: EP
Gênero: Eletrônica / Funk
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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