Crítica | MITA São Paulo



★½

MITA ensina como não fazer um festival de música.

Neste fim de semana, ocorreu o festival MITA em São Paulo, localizado no Vale do Anhangabaú, atualmente um dos lugares mais perigosos da cidade. No fim de semana anterior, houve a edição no Rio de Janeiro, no Jockey Club, com uma vista maravilhosa para o Cristo Redentor. Muitos moradores de São Paulo preferiram assistir seus artistas favoritos lá, por medo da região do Anhangabaú, um local nada apropriado para realizar um evento desse tamanho.

Pensei muito em desistir do evento, pois os ingressos estavam até mais caros que o Lollapalooza, e também não estava confiante de que seria uma boa experiência assistir a algum show naquele local. Infelizmente, eu estava certa. O lugar estava lotado no primeiro dia e era impossível enxergar o palco principal da pista comum. Sim, havia uma área premium em um festival. Uma piada, não é mesmo? Se eu já não estava satisfeita com o preço da pista comum, imagine o da premium. No entanto, parece que o festival só aconteceu para quem escolheu essa área do show.

No primeiro dia, a área premium era enorme, o que revoltou o público da pista comum devido à grande distância do palco. Eu não conseguia ver absolutamente nada de Lana Del Rey no palco, apenas um pouco nos telões. Sim, apenas um pouco, porque havia apenas dois telões que estavam com a visão prejudicada pelas árvores do local. No final, acabei subindo um morro para conseguir ver um pouco a apresentação dela, afinal, paguei para vê-la cantando no palco. Consegui ver depois que encontrei esse lugar, mas o som ali estava terrível, totalmente fora de sincronia.

Além da frustração com a visão do palco, o show principal começou com 40 minutos de atraso, o que resultou em vaias do público. Também ouvi dizer que estavam falsificando pulseiras da área premium para os fãs conseguirem chegar mais perto da artista. Se deu certo, eu não sei, mas a pulseira era de papel e foi fácil de produzir uma falsa.

Enquanto alguns festivais facilitam o pagamento para consumo dentro do evento com a recarga na pulseira, no MITA foi diferente. Era necessário pagar R$7,00 em um cartão e fazer a recarga por lá. Como eu estava acompanhada, compramos apenas um cartão e concentramos todas as recargas nele, sem a necessidade de cada um gastar mais com a comanda.

Eu estava curiosa para assistir ao show do grupo BADBADNOTGOOD, mas isso não aconteceu porque esperei 40 minutos por um hambúrguer. Além disso, uma garota na fila me contou que estava muito chateada porque fez uma recarga de alto valor e, ao tentar fazer uma compra, não havia sido carregada. Mandaram que ela resolvesse em algum caixa, mas ela estava um pouco esperançosa de que seria resolvido.

Por incrível que pareça, temos um ponto positivo da estrutura do festival: os banheiros. Conseguiram incluir banheiros limpos, o que geralmente não acontece em outros festivais. O segundo dia foi muito mais tranquilo, pois reduziram o tamanho da área premium e consegui um lugar onde era possível ver os artistas e ouvir o som perfeitamente. No entanto, antes disso, passei novamente por aquele morro e o som continuava fora de sincronia.



Duda Beat

A cantora estava claramente muito feliz por estar ali e fez um show muito divertido. O melhor momento foi quando ela cantou "Chapadinha", a versão brasileira de "High By The Beach", onde ela transmitiu mensagens pedindo para a Lana Del Rey liberar a música nas plataformas de streaming.



Lana Del Rey

Apesar do atraso de 40 minutos, cuja culpa não sabemos se foi dela, a artista levou os fãs à loucura com uma setlist impecável, adicionando duas músicas a pedido do público naquele momento. Foi lindo, mas teria me emocionado mais se não fosse pela experiência horrorosa que tive com o festival. Espero poder aproveitar melhor um show de uma das minhas artistas favoritas futuramente, mas longe do MITA.



Sabrina Carpenter

Não costumo ouvir muito as músicas dela, mas ela entregou muito carisma no palco. Ela é extremamente fofa e fiquei com mais vontade de procurar saber mais sobre a artista. Deu vontade de ser amiga dela.



NX Zero

Foi o show nacional mais divertido. E eu nem sou fã da banda. O público foi à loucura com os hits e cantava todas as músicas inteirinhas. A música "Cedo ou Tarde" me deixou muito emocionada e foi nítido ver como a banda estava animada. Fui surpreendida e assistiria mais um show deles. Merecem todo o sucesso!



HAIM

Era o show que eu estava mais ansiosa. Sou totalmente apaixonada pelas minhas irmãs HAIM e saí ainda mais apaixonada. Não tem como não se divertir com a presença delas. O ponto alto do show foi quando cantaram "Ilariê", da Xuxa.



Florence + the Machine

Você pode até não gostar das músicas, mas não concordar que ela é ótima no palco é pura birra. Ela canta perfeitamente bem e sabe dominar o palco com a maior naturalidade. Não tem como não se emocionar. Fechou a noite com chave de ouro.
Vit

Sou a Vit, apaixonada pelo universo musical desde que me entendo por gente, especialmente por vocais femininos. Editora e repórter no Aquele Tuim, onde faço parte das curadorias de Pop, MPB, Pós-MPB e Música Brasileira.

Postagem Anterior Próxima Postagem