Crítica | Mountainhead



★★★★

Enquanto utilizam de um conceito intrigante para abordar o estado do mundo capitalista, Everything Everything apresenta mais uma coleção de músicas formidáveis em sua carreira.

O trabalho de Everything Everything se destacou por mostrar uma grande habilidade deles em criar canções pop fenomenais. Get To Heaven, melhor disco da banda até hoje, foi onde esse talento se apresentou mais forte. Com produções criativas, melodias completamente sedutoras e performance vocal esplêndida do vocalista, os britânicos tiveram êxito em criar uma obra estupenda.

Passados quase 10 anos desse registro, Everything Everything revela ainda saber como elaborar músicas extremamente cativantes. Por mais que a criatividade sonora deles em Mountainhead, novo álbum da banda, não esteja em um nível tão alto como o apresentado em Get To Heaven, a obra consegue reafirmar algumas das características que mais fazem o trabalho dos artistas excelente.

O ritmo extremamente sedutor das faixas ainda está presente aqui. “Cold Reactor” cria uma energia divertida a partir da sua instrumentação, com os vocais chops, baixo e bateria, já “Don't Ask Me To Beg”, além de apresentar produção new rave eletrizante, em diversos momentos a performance do vocalista consegue tornar a faixa ainda mais cativante. Além dessa, muitas outras canções do álbum se destacam pelo modo de cantar de Jonathan Higgs. A voz aguda apaixonante do artista contribui para tornar as músicas da banda bastante mais atrativas e aqui em Mountainhead não é diferente. Em faixas como “Enter The Mirror” e “Buddy, Come Over”, embora entregue ótima qualidade em outros aspectos, esse quesito tem grande papel em torná-las excepcionais.

Algo bastante interessante que pode-se notar na obra é como há diversos momentos em que eles apostam em sonoridades pouco utilizadas no passado. O melhor exemplo disso é “R U Happy?”, excelente mescla da instrumentação indie pop com as batidas no ritmo UK garage. A bateria dance e as guitarras adocicadas soam muito apaixonantes juntas. “Canary”, nesse sentido, também é um destaque. Nela, os artistas experimentam novas abordagens com base em percussão eletrônica singular, a qual, alinhada aos pianos encantadores, resultam em algo hipnotizante.

Embora sonoramente não seja o álbum mais criativo da banda, liricamente ele traz um dos conceitos mais intrigantes de tudo que já fizeram. Mountainhead fala sobre uma realidade alternativa em que os mais pobres cavam o seu próprio buraco para construir uma montanha em que nela moraria apenas a elite, o que é uma metáfora para a situação do mundo real em que as classes mais baixas trabalham incansavelmente para enriquecer o topo da hierarquia social. Apesar de algumas falhas na apresentação dessa ideia, no geral, o registro consegue fazer bem essa abordagem. “Cold Reactor” é a melhor canção em termos líricos. “So we built a mountain by digging an almighty hole / And on our backs, we carried every rock and stone / But now the hole is deeper than anybody ever planned / And we’re blocking out the sun”, Jonathan canta trazendo essa excelente metáfora. No geral, Mountainhead se destaca pela boa elaboração de suas ideias líricas, além de apresentar canções sonoramente eletrizantes.

Selo: BMG
Formato: LP
Gênero: Pop / Synthpop, Art Pop
Davi Bittencourt

Davi Bittencourt, nascido na capital do Rio de Janeiro em 2006, estudante de direito, contribuo como redator para os sites Aquele Tuim e SoundX. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Pop e R&B.

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