Crítica | Catching Chickens



★★★½

Depois do sucesso de Erotic Probiotic 2, Catching Chickens, de Nourished By Time, não poderia ser mais evidente do que uma reafirmação.

Lançado no ano passado, Erotic Probiotic 2 foi certamente um dos álbuns mais reveladores dos últimos anos. Existia na fórmula delineada por Marcus Brown, A.K.A. Nourished By Time, uma mistura corrosiva de eletrônica com R&B alternativo, pop de quarto e uma clara imposição de sua voz sufocada pela ideia de preencher suas referências.

Com o sucesso deste disco, Brown ganhou destaque na cena de Baltimore e agora assina contrato com a XL Recordings. Depois destes acontecimentos, Catching Chickens não poderia ser mais evidente do que uma reafirmação. Aqui, seguimos a proposta do artista de mesclar sua base com algumas produções de música pop eletrônica ousadas e permissivas.

Há, no entanto, uma maior presença de nostalgia, instigada por uma sonoridade que atravessa os anos 80 e 90, com abundantes sintetizadores cuja melodia lembra a descoberta dos teclados de controle. E, por mais que se repita demasiadamente, o clima de Catching Chickens é cheio de paixão, como ele canta em “Romance In Me”: “Ooh, baby, I can be your lonely, lonely, lonely, lover too”. Ou em “Poison-Soaked”: “I’ll be anything a person can be / Ir it’ll bring her back to me”.

Embora mais acessível, e sem um conceito tão definitivo, o EP consegue provocar uma sensação de retorno completo ao que de melhor o Nourished By Time, como tal projeto, poderia oferecer: sua posição contundente de desconforto. Seja criticando o capitalismo, ou a desilusão de viver uma vida comum nele. “Young breathin’ in them toxins”.

Selo: XL
Formato: LP
Gênero: Pop / Alternativo
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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