Crítica | No Rastro de Catarina



★★★½

Aos 77 anos, Cátia de França passa longe de conter suas visões musicais e políticas em No Rastro de Catarina.

Aos 77 anos, Cátia de França passa longe de conter suas visões musicais e políticas em No Rastro de Catarina, disco que comemora os 50 anos de carreira da artista, conhecida por obras como Vinte Palavras ao Redor do Sol, de 1979.

Inicialmente, a diferença na voz de Cátia, fruto da passagem do tempo entre seus trabalhos que se desenrolam ao longo de décadas, chama a atenção por contribuir para a profundidade com que as composições aqui parecem corresponder, como na abertura “Fênix”, em que ela canta: “Renasci das cinzas feito fênix / Desassossego dos meus inimigos”.

Na faixa, há uma mistura de rock psicodélico e baião, o primeiro destacado por cordas metálicas, distorcidas em tons arrastados pela bateria, enquanto a segunda remete à tradicionalidade do gênero, com passos marcados por viola e triângulo — que se misturam as linhas eletrificadas de um sintetizador responsável pelo toque mais moderno a essas mesmas estruturas exploradas por Cátia ao longo de sua carreira.

Outras vezes, o rock se revela com maior intensidade (“Em Resposta” e “Academias e Lanchonetes”), abrindo um segmento mais expansivo para a viola como parte integrante da identidade nordestina que Cátia faz questão de celebrar em canções como “Eu”. Em outros instantes, são os solos que diagramam o instrumento como ideia de referência a si mesma e ao seu entorno, de modo que é feito em “Veias Abertas”, um dos maiores destaques da obra.

Selo: Tuim Discos
Formato: LP
Gênero: MPB / Rock Psicodélico
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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