Crítica | Um Fone, Uma Música



★★★½

Feijão tropeiro do funk, Um Fone, Uma Música reúne múltiplos brasis na perspectiva da boa putaria.

Se você não é surdo ou burro, já deve ter ouvido falar — ou tido consciência — que DJ Arana foi um dos artistas mais ouvidos no Brasil em 2023. Seu maior hit, “MONTAGEM ANOS 2000”, ecoou pelo TikTok, com direito a dancinha e tudo. A música é a combinação perfeita entre o passado carioca e o presente do funk paulista. Nostalgia pura.

Um Fone, Uma Música, de Mc Lv Da Zo, surge neste formato de reconciliação entre pai e filho do gênero. Há momentos em que o som vai além do mero ecletismo que hoje é alimentado pelo automotivo e pelo terrível brazilian phonk. Faixas como “Vem Movimento” recupera as raízes cariocas, assim como DJ Arana fez, mas é mais direta, como se realmente se dedicasse a recompor o passado. “Leite de Fazenda”, segue pela mesma perspectiva, mas intensifica o tamborzão dos anos 2000 e início de 2010 — sem deixar de ser atual.

Enquanto que “É Carnaval” e “Vem Por Cima” focam mais em texturizações eletrônicas, com batidas secas, abastadas de distorções. O grande diferencial, que também não abre mão da nostalgia, é “Eu Tô no Bailão”, uma mistura de funk com pagodão, que já havia se popularizado nos anos 2000, mas aqui ganha uma nova roupagem. Como diria aquela ex-BBB do Brás: é o “Brasil do Brasil!”.

Selo: WMD
Formato: LP
Gênero: Funk
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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