Crítica | Pull The Rope


★★½

Em Pull The Rope, Ibibio Sound Machine traz referências eletrônicas oitentistas pra lá de interessantes, mas se perde com algumas faixas longas e maçantes.

Iniciar uma crítica nunca é fácil, nós analisamos cada parte de uma obra, detalhe por detalhe, letra por letra, só que infelizmente quando um álbum não é tão agradável quanto você imaginava no começo dessa jornada, você acaba se decepcionando. Pull The Rope de Ibibio Sound Machine é o exemplo de um álbum que, apesar de ter uma produção interessante, acaba caindo em longas faixas que parecem intermináveis e que se tornam desinteressantes ao longo da duração.

A obra se inicia com a faixa título “Pull The Rope”, que introduz o registro por meio de elementos eletrônicos e com instrumentos de corda como baixo. Já a composição, infelizmente, não é um destaque dentro dela; é uma introdução do que iremos ver no decorrer do álbum. Nessa perspectiva, é possível observar algumas conduções bastante errôneas e que demarcam um espaço seguro de abordagem, como na terceira faixa, “Fire”, que se estende por quatro minutos, mas que pareciam um pouco mais do que isso, cambaleando por uma produção que, embora legal, fica cada vez mais repetitiva.

O mesmo acontece em “Mama Say”, em que a batida eletrônica oitentista toma conta dos espaços com fervor, mas a produção ainda assim é bastante limitada na repetição de suas ideias sintéticas. Em certas ocasiões também ocorre uma oscilação entre os vocais; às vezes os instrumentais e os sintetizadores atropelam a voz — o que aparenta não ser proposital —, ou seja, não transparece como sendo uma produção tão polida.

Apesar do disco ter alguns problemas, algumas faixas se destacam com êxito, como “Political Incorrect”, ótima para dançar livremente, e “Far Away”, que demonstra novamente uma redução de sentidos, e por isso obtém um melhor tempo de produção, resultando em uma qualidade acima da média, com instrumentos de sopro e sintetizadores performando lindamente suas características mais vantajosas. Ibibio Sound Machine tem vocais esplendorosos e uma forma de idealizar a produção que faz você perceber que ela sabe o que estava fazendo. Entretanto, se perde no alongamento das faixas, trazendo ao álbum um aspecto maçante aos ouvidos.

Apesar das contravenções, Ibibio Sound Machine continua sendo uma artista interessante, que coloca seus ideais no topo e cada vez mais tem uma direção criativa verdadeiramente interessante, mas às vezes tendemos a errar e tudo bem, é aprendendo com os erros que melhoramos nossa arte.

Selo: Merge Records
Formato: LP
Gênero: Eletrônica / Afro-punk
Lucas Melo

Estudante de jornalismo, 18 anos. Amante da música e da cultura pop desde da infância. É crítico do Aquele Tuim, em que faço parte da curadorias de R&B e Soul.

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