Clássicos do Aquele Tuim | Ultraviolence (2014)


★★★★☆
4/5

Há uma década, Lana Del Rey lançava Ultraviolence, seu terceiro álbum de estúdio. O trabalho em questão é reconhecido por sua estética noir e letras melancólicas, marcas registradas da cantora. Desde a faixa inicial, “Cruel World”, o ouvinte é imediatamente transportado para um universo denso e contemplativo — a música, com sua duração prolongada e arranjo espaçado, estabelece o clima para o restante da obra.

A faixa título, “Ultraviolence”, salta aos olhos por sua melodia sombria, que cria um ambiente sonoro que complementa suas letras carregadas de drama e angústia, explorando temas de violência emocional e física no contexto de uma devoção amorosa. Em “Shades of Cool” vemos a revelação da voz etérea de Lana, em meio a arranjos instrumentais que evoluem de forma lenta e hipnótica, aumentando a intensidade à medida que a música avança refletindo sobre as complexidades de um relacionamento.

Nota-se em “Brooklyn Baby”, um momento de leveza, com um toque mais irônico. Já “West Coast” se destaca por sua estrutura peculiar e mudanças de ritmo; também produzida por Dan Auerbach do Black Keys, a canção mistura elementos de rock psicodélico com o característico pop noir de Lana, evocando a sensação de um verão nostálgico e decadente. Na sequência, “Sad Girl” e “Pretty When You Cry”, podemos sentir a vulnerabilidade e tristeza ecoando através da artista de maneira crua e direta, que se dá por uma instrumentalização minimalista, cujas emoções expressas tornam-se o foco principal. Em “Money Power Glory” e “Fucked My Way Up to the Top”, ela destaca a ambição e a busca pelo sucesso, mas com uma crítica mordaz ao custo pessoal e emocional – são faixas sarcásticas, autocríticas e introspectivas. Ao longo do álbum, vemos Lana continuar a explorar temas de amor tumultuado e autoimagem, como em “Black Beauty” e “Guns and Roses”.

O disco se encerra com “Florida Kilos”, uma faixa leve, embora sua letra ainda carregue a melancolia e o ardor da artista. Podemos caracterizar Ultraviolence como uma profunda melancolia teatral de Lana Del Rey, em que ela intensifica ainda mais o dramatismo. Comparado ao glamour cinematográfico de Born to Die, que combinava o Indie pop com arranjos orquestrais e narrativas sobre luxúrias e desespero, Ultraviolence apresenta um lado mais íntimo onde o amor e a dor são indissociáveis. A teatralidade de sua melancolia, como antes mencionada, não é apenas estilística, mas uma forma de transformar a dor em beleza.

Selo: Polydor, Interscope
Formato: LP
Gênero: Pop / Art Pop
Brinatti

Graduando em Ciências Sociais, com ênfase em Antropologia e Sociologia, 27 anos. É editor e repórter do Aquele Tuim, em que faz parte das curadorias de MPB, Pós-MPB, Música Brasileira e Pop.

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