Crítica | KACHAKACHA


★★★★☆
4/5

Direto de Beijing, China, 小王XiAOWANG desafia o patriarcado com um rock fervente, deixando nítido a escolha do nome do álbum: 咔嚓咔嚓 (kāchākāchā), uma onomatopeia do mandarim para expressar o som de um “estalo”, como o CRACK ou CLEC. Composto por quatro mulheres cheias de raiva, era de se esperar um disco disposto a quebrar tudo no estilo rock-'n'-roll de ser.

O lead single, “Steal” começa com “Give me some flowers, don't give me tears” e continua com afirmações fortes como “All you do is cut me off all you want is shut me out”. O álbum em si reflete o pós-punk de Beijing, um movimento que se consolidou no começo dos anos 2000, experimental, espirituoso e essencialmente raivoso, destacando faixas como “SonicBaby”, “Fighthing Gewalt” e “Echo of All Dreams”. Em “Sleep”, mais romântica e melódica, abraça o medo da existência em uma dança com o próprio sono e a consciência, terminando com “你还没爱上我吗 [você ainda não me ama?]”. Barulho, vivências, esperanças e falta de esperança caracterizam o álbum.

Especialmente em “Fight Gewalt”, como o nome sugere — tradução literal: combate à violência — XiAOWANG apresenta letras que refletem sobre patriarcado, machismo e resistência, como “One, in their scene our voices are denied”, “I weep for all the potential young girls who haven’t been taken seriously”, “What do we want, we want the choice”. Para o trailer-documentário do álbum, XiAOWANG afirma que “o poder pertence a todos”. Yue Tu, Lao Du, Tong Tong e Zao Zao continuam nessa jornada de resistência e barulho, que tem o poder de quebrar o preconceito e transformá-lo em cinzas.

Selo: Damnably
Formato: LP
Gênero: Música do Leste e Sudeste Asiático / Rock, Punk Rock

beatriS

Bibliotecário nas horas vagas. Faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Rock e Experimental.

Postagem Anterior Próxima Postagem