Crítica | MOTH


★★★★☆
4/5

Na minha jornada pelo mundo da música, vejo a cada dia mais artistas explorando aspectos experimentais de ritmos como o R&B, o que abre um leque de possibilidades de produção, mantendo a alma sobre a qual esse gênero foi construído. Fana Hues é uma daquelas artistas que tem coragem de mergulhar de cabeça em um mundo que, para muitos, ainda é distante. MOTH, seu novo álbum, aperfeiçoa sua conceitualidade através de elementos psicodélicos de neo-soul e R&B, atingindo um brilhantismo por vezes excepcional.

Primeiramente devemos elogiar o excelente trabalho realizado pelo produtor Josh Grant, que em “Sweet Like” me fez elevar mentalmente aos pontos mais altos de minha consciência dada suas excelentes escolhas psicodélicas. Logo nas primeiras faixas, Fana Hues consegue nos deixar verdadeiramente hipnotizados por seu vocal sutil e leve, uma voz feita para o soul, mas que aqui caminha também para o R&B, lembrando o vocal de Yaya Bey, por exemplo.

Depois de uma grande entrada repleta de sintetizadores, há momentos de calma que acendem dentro da obra. “Apple Picking”, minha música preferida, traz instrumentos de cordas como base da música, não como uma versão acústica de alguma faixa extra. São dúzias de elementos em meio a uma produção rica e vocais sensuais que enchem os ouvidos. O que mais impressiona em MOTH, no entanto, é a dualidade da sutileza dos vocais de Hues com a potência da produção de Josh Grant; dois elos que se unem para ocupar o mesmo espaço. “Paper Tigers” é o grande exemplo dessa união. O início da música traz a delicadeza com que fomos apresentados anteriormente e nos traz uma surpresa bem-vinda: instrumentação de guitarra e marcas criadas por ela que poderiam ser a tendência do rock dos anos 2000. É incrível.

MOTH, se pudesse ser desenhado e pintado, seria como o retrato de uma bela colisão de espaços psicodélicos com a leveza de uma viagem de verão num carro conversível. O LP é consistente no andamento ideal, seus agudos e graves conseguem manter as camadas vocais de alta qualidade nas quais Solange Knowles faria facilmente em um novo trabalho. É uma construção de detalhes deliciosamente feita, e cada um com sua particularidade, que enriquece ainda mais o currículo de Josh Grant e seu talento inato como produtor.

É nítido como Fana segue construindo uma discografia sem desperdícios, e MOTH pode ser considerado, facilmente, o seu melhor trabalho até hoje, além de ser um dos melhores álbuns de R&B deste ano. Sem dúvidas estou ansioso para saber o que mais ela pode nos oferecer nos próximos passos de sua carreira.

Selo: Bright Antenna
Formato: LP
Gênero: R&B / Soul, Pop
Lucas Melo

Estudante de jornalismo, 18 anos. Amante da música e da cultura pop desde da infância. É crítico do Aquele Tuim, em que faço parte da curadorias de R&B e Soul.

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