Crítica | Pra você, Ilza


★★★★

O novo disco de Hermeto Pascoal, Pra você, Ilza, transcende a homenagem do artista alagoano à esposa: é o sentimento intrinsecamente ligado à criação.

A força que move um homem. Hermeto Pascoal, que por muito tempo representou o jazz brasileiro com obras de puro entusiasmo, agora deposita sua paixão na homenagem. Seu novo álbum, Pra Você, Ilza, é um tributo à esposa, Ilza da Silva, falecida em 2000.

A obra ganha vida própria e, mesmo lançada em 2024, suas marcas são definidas pelo passado: foi composta entre 1999 e 2000. Nesta época, o multi-instrumentista alagoano viaja pelo mundo como um verdadeiro gênio, mas para nós, ele continua sendo o nosso bruxo. E não existe magia que descreva sua habilidade.

O álbum, composto por 13 faixas, dissipa a doçura pela nostalgia, com o saxofone vociferando a paixão e o piano guiando a memória. É um dos raros casos em que o sentimento está intrinsecamente ligado ao fazer, e é por isso que cada uma das composições aqui soa justa e adequada ao seu autor, que vai “Do Rio Para Recife”, dos “Seus lindos olhos” ao “No topo do morro de Aracajú”.

Selo: Rocinante
Formato: LP
Gênero: Jazz / Post-Bop, Samba-Jazz
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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