Crítica | Timeless


½

Em Timeless, Meghan Trainor abraça a mediocridade e entrega um trabalho feito diretamente para ser usado em vídeos curtos nas redes sociais.

Meghan Trainor surgiu na indústria em 2015, com músicas que traziam uma aparente originalidade apesar de serem, na verdade, muito batidas. Após isso, a artista passou por um momento de sumiço nas paradas musicais por mudar parte de sua perspectiva centrada na superficialidade estética que manteve numa mesma linha narrativa durante um bom tempo. Depois do sucesso de “I Made You Look”, ela viu uma oportunidade de retornar ao pop chiclete em que permanecia presa há 9 anos, e nesta sexta-feira (07), lançou seu novos álbum intitulado Timeless, que infelizmente se joga direto no abismo da mesmice e é quase inaudível.

A obra começa dando a sensação de que estamos dentro de uma farmácia, de tão genéricas que são as três primeiras músicas, aliás, praticamente isso resumiria todas as canções do álbum, que são em sua maioria produzidas por Federico Vindver e Grant Boutin, que usam as fórmulas práticas de sucesso que qualquer artista usa hoje para garantir bons desempenhos nas redes sociais: batidas agudas, letras chicletes e sem profundidade capaz de atingir todos os públicos e de serem usadas em vídeos curtos. “To The Moon” é uma faixa semelhante a outras músicas que Meghan Trainor já lançou, sem novidade alguma, é impressionante. Achei que não poderia ficar pior, mas “Whoops” fez jus às faixas anteriores e conseguiu condensar uma produção que lembra uma sobremesa muito doce e que não dá para ouvir de forma alguma.

Timeless é um bom exemplo de como a indústria, aliada à influência das redes sociais, é capaz de prejudicar o processo criativo de uma obra. O álbum, do início ao fim, parece a mesma música e mesmo tendo 40 minutos de duração, me deu a sensação de que 2 horas haviam se passado porque é entediante demais. No geral, é um material que se apresenta como um mero produto sem qualquer toque artístico. Mesmo que Meghan não tenha conseguido bons números, ela ainda conseguiu cativar com músicas que abrangeram sua mudança após seu sucesso em 2016, mas trazer um álbum sem identidade e sem ao menos tentar sair da zona de conforto em que se estabeleceu por 2 anos é de fato decepcionante.

Selo: Epic Records
Formato: LP
Gênero: Pop / Dance Pop
Lucas Melo

Estudante de jornalismo, 18 anos. Amante da música e da cultura pop desde da infância. É crítico do Aquele Tuim, em que faço parte da curadorias de R&B e Soul.

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