Crítica | I Hear You


★★★

Em I Hear You, Peggy Gou parece ter esgotado todas as suas ideias.

Demorou para Peggy Gou lançar seu primeiro álbum de estúdio. Depois de dois EPs, a DJ e produtora coreana continuou por um tempo tocando em grandes casas e alcançando sucesso além do esperado para alguém que, de certa forma, se consolidou recentemente na cena.

Suas peças altamente marcadas pelas nuances do deep house, combinavam a facilidade das pistas com uma certa excentricidade que a diferenciava de outros DJs, essencialmente aqueles focados na experiência de raves com pés em psytrance & cia.

Mas, apesar de ter se diferenciado bastante no passado, Gou parece mais comum do que nunca em I Hear You. Considerando a plataforma em que ela se encontra agora, a importantíssima XL, era esperado, não por mim ou por você, mas pela própria convenção e pelos signos da artista, algo pelo menos consistente com os anos que ela passou entretendo e inovando como uma mulher extremamente influente na música eletrônica global.

Embora tenha alguns destaques, como “Seoulsi Peggygou (서울시페기구)”, que aborda suas raízes coreanas com instrumentos tradicionais, o álbum dificilmente mantém um alto nível de interesse. É, ao mesmo tempo, inofensivo, muito desanimador e repetitivo... Ninguém duvida que Paggy está sem ideias, mas a impressão que ela nos dá, neste momento, é que não tem mais nada a dizer do que a sua busca entre esse interesse pessoal e algumas referências à eletrônica furtiva dos anos 90. E só.

Selo: XL
Formato: LP
Gênero: Eletrônica / House
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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