Crítica | Into The Blue


★★★★☆
4/5

Conhecer novos artistas não é uma tarefa fácil. Nós, como pessoas, estamos sempre confortáveis com o que consideramos “normal” para nossos gostos pessoais, principalmente quando se trata de gêneros musicais. O soul sempre fez parte da minha história musical, e clássicos como Stevie Wonder e James Brown sempre estiveram no meu repertório. Afinal, por que este é o início da minha análise? Pois bem, Aaron Frazer me fez reconectar novamente com o sabor doce e sutil em que o soul pode se transformar quando há uma boa orientação de suas melhores características.

Aaron estreou em 2017, expondo influências do gênero desde então, e isso ficou mais evidente após o lançamento de seu primeiro LP, Introducing..., que tem uma atmosfera mais calma, com subgêneros soul como chicago soul — este é o predominante — e pop soul. Em 2024, após três anos de espera, Aaron lança seu mais novo trabalho chamado Into The Blue, uma melhoria em relação ao seu antecessor e sem muitas mudanças bruscas nos aspectos musicais de sua discografia. Ao iniciar Into The Blue, já percebemos uma mudança perceptível nos sentimentos que a obra traz. Embora Introducing… comece de maneira lenta e sóbria, aqui estamos olhando para uma versão notoriamente relaxada de Aaron. A faixa título “Into The Blue” nos leva ao final dos anos 70, os vocais leves que lembram os da banda Bee Gees nos tempos áureos que, combinados com a produção de uma trilha sonora de filme, criam uma atmosfera única e envolvente. A animada “Payback” é o maior destaque de produção e instrumental do álbum, desde bateria, palmas, efeitos de voz até um surpreendente solo de guitarra.

Alex Goose e Aaron Frazer lideram toda a produção do projeto, e trazem essa ideia de novidade, alegria com doces sensações de calma, que, para mim, é ideal para o trabalho. Sem dúvidas, o que intriga nos projetos de Aaron Frazer são seus vocais, que brilham constantemente em diversos momentos. “Dime”, parceria com a cantora chilena Cancamusa, é uma das melhores músicas do projeto; traz de volta a perspectiva lenta de seu álbum antecessor, mas desta vez de forma mais leve, sem grandes acúmulos para preencher espaços dentro do álbum. Apesar dos meus elogios a Into The Blue, existem pontos negativos notáveis para analisar. Algumas produções como “Perfect Strangers” e “Play On” passam despercebidas. O álbum ainda é muito coeso, mas há faixas que não quebram o ritmo do trabalho. Into The Blue é uma grande experiência para o soul; uma construção narrativa excepcional e excelentes vocais de Aaron Frazer, que poderia dizer que é o melhor LP de sua carreira até agora. Conhecer novos artistas é meramente difícil, mas quando conseguimos apreciar uma obra que nos tira da nossa zona de conforto, é inevitavelmente surpreendente.

Selo: Dead Oceans
Formato: LP
Gênero: Pop / Soul
Lucas Melo

Estudante de jornalismo, 18 anos. Amante da música e da cultura pop desde da infância. É crítico do Aquele Tuim, em que faço parte da curadorias de R&B e Soul.

Postagem Anterior Próxima Postagem