
O terceiro disco colaborativo entre Lawrence English e Stephen Vitiello, Trinity, é recheado de nomes que agem na dianteira do som que eles firmam aqui com certa condescendência. Soa próximo do que ambos trabalham em suas respectivas carreiras, mas, em unidade, fornece elementos extras e uma mescla de símbolos do léxico de cada colaborador, que parece querer transbordar em sua esfera criativa multidisciplinar. Todas as faixas contam com a presença de algum artista do espectro dos gêneros que English e Vitiello exploram. Na abertura, “With Chris”, os dedilhados de piano do australiano Chris Abrahams parecem confundir a atmosfera serena e as texturas pigmentadas que a estrutura impõe, e o faz com uma leveza chocante. “His piano floats in and above our bed of sounds”, diz Vitiello. E ele tem razão.
Na sequência, “With Marina”, quebras e melodias sintéticas de eletrônica texturizada invadem o cânone da maciez que English e Vitiello parecem buscar quando dão ao convidado o poder de ditar os rumos que o som há de tomar. Na segunda maior peça do álbum, “With Aki”, sinos e gotejos dividem o que parece ser uma gravação de campo desregulada, com interferências de sinais que direcionam a estética para um terreno industrial, com cheiro de graxa e poças d’água cheias de iridescência. O álbum, apesar de ser centrado em duas figuras de extremo calibre, funciona como um trabalho coletivo, pensado para, a cada faixa, trazer uma sensação e despertar algo novo, algo que seus autores principais ainda não haviam imaginado. E isso dá certo por muitos motivos, entre eles o fato de todos os convidados aqui agirem em sintonia, deixando suas marcas sem apagar as de English e Vitiello.
Compre: Bandcamp
Selo: American Dreams
Formato: LP
Gênero: Experimental