Crítica | “Aperture”


O lançamento de “Aperture” no dia 22 de janeiro, single que introduz o álbum Kiss All The Time. Disco, Occasionally, marca a abertura de uma nova era para Harry Styles. Contudo, seria desonesto afirmar que existiam expectativas elevadas para este retorno. Com exceção de seu álbum de estreia, Harry Styles— único pico criativo de sua trajetória onde ele realmente entregou algo instigante —, a carreira do cantor tem sido marcada pela ausência de riscos nas suas escolhas artísticas

A única surpresa reside na guinada abrupta em direção à house music. Embora Styles já tivesse flertado com o synthpop anteriormente, o mergulho direto nesta vertente eletrônica foi inesperado. Porém, é justamente aí que mora o problema: por que se aliar a um gênero que, dentro do ciclo atual da música pop, já demonstra sinais claros de exaustão e defasagem? A resposta pragmática seria o alinhamento com o mainstream, habitat natural do cantor, mas esperava-se, no mínimo, um genérico bem executado.

O que recebemos, no entanto, é tecnicamente desastroso. Ao tentar se apropriar de elementos do deep house, a produção falha em capturar a pulsação e a atmosfera essenciais ao estilo. A faixa soa opaca, resultado de uma mixagem achatada que remove qualquer noção de profundidade espacial ou dinâmica. As linhas de baixo, que deveriam ditar o groove e o calor característicos do gênero, são anêmicas e mal equalizadas, enquanto os sintetizadores carecem de granulação e brilho. Faltam texturas.

A comparação com o single recente de Jessie Ware é inevitável, pois ambos sofrem dessas mesmas carências técnicas e falta de brilho. A diferença crucial é que ela, ao menos, é uma artista competente. Já no caso de Harry Styles, seria preciso estar completamente fora de órbita para atribuir a ele tal qualidade. Se a expectativa para o álbum já não era alta, agora o saldo é definitivamente negativo.

Selo: Columbia Records
Formato: Single
Gênero: Pop / House
Antonio Rivers

Me chamo Antonio Rivers, graduando em História, amazonense nascido em 2006. Faço parte do Aquele Tuim, nas curadorias de Experimental, Eletrônica, R&B e Soul.

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