
A única surpresa reside na guinada abrupta em direção à house music. Embora Styles já tivesse flertado com o synthpop anteriormente, o mergulho direto nesta vertente eletrônica foi inesperado. Porém, é justamente aí que mora o problema: por que se aliar a um gênero que, dentro do ciclo atual da música pop, já demonstra sinais claros de exaustão e defasagem? A resposta pragmática seria o alinhamento com o mainstream, habitat natural do cantor, mas esperava-se, no mínimo, um genérico bem executado.
O que recebemos, no entanto, é tecnicamente desastroso. Ao tentar se apropriar de elementos do deep house, a produção falha em capturar a pulsação e a atmosfera essenciais ao estilo. A faixa soa opaca, resultado de uma mixagem achatada que remove qualquer noção de profundidade espacial ou dinâmica. As linhas de baixo, que deveriam ditar o groove e o calor característicos do gênero, são anêmicas e mal equalizadas, enquanto os sintetizadores carecem de granulação e brilho. Faltam texturas.
A comparação com o single recente de Jessie Ware é inevitável, pois ambos sofrem dessas mesmas carências técnicas e falta de brilho. A diferença crucial é que ela, ao menos, é uma artista competente. Já no caso de Harry Styles, seria preciso estar completamente fora de órbita para atribuir a ele tal qualidade. Se a expectativa para o álbum já não era alta, agora o saldo é definitivamente negativo.
Selo: Columbia Records
Formato: Single
Gênero: Pop / House