Crítica | Mata-Leão


★★★

Mata-Leão é, de certa forma, uma obra muito singular no cenário atual do indie pop, uma vez que seu som carrega soluções criativas dentro do gênero, fazendo com que todos os elementos presentes sejam mais densos do que o normal, carregados de profundidade. Por isso, é um disco onírico, misterioso e lustroso — e tudo isso em seu maior potencial.

Mata-Leão é essencialmente marcado pelo tom sonhador e misterioso presente em certas abordagens do indie pop, principalmente pela influência do dream pop, mas junto a aspectos jazzísticos presentes no uso dos metais e dos pianos que criam um som luxuoso. A faixa “Perigo,” é uma deslumbrante demonstração do alcance que as influências do jazz aparecem aqui na composição: são camadas dos acordes dos teclados e baterias com uma marcação característica, junto aos metais numa mescla em que a justaposição desses se torna hipnotizante, ainda mais com a interpretação realizada no gancho: “Per-i-i-i-i-go / Per-i-i-i-i-go / Per-i-i-i-i-go”, que tem um ar de tensão que enfatiza realmente a sensação de zona de perigo.

O momento seguinte, “Quis”, se aproxima mais aos aspectos do indie pop mencionados anteriormente, pendendo mais para o dream pop, e é também o melhor exemplo da execução deles aqui. O som é aconchegante, com suas guitarras num tom que proporciona uma sensação sonhadora, alinhada à pequenas referências jazzísticas, principalmente nos metais. É um som onírico, porém misterioso, o que cria uma natureza levemente hipnótica.

Mata-Leão, no geral, é guiado por essa linha sonora inventiva, mas que destaca principalmente a sensação de mistério hipnotizante, que traduz seu significado relativo às situações transitórias da vida, apontando para um ar de incerteza a partir de uma mistura de aspectos do indie pop com a instrumentação lustrosa tomada por referências do jazz.

Selo: Cavaca Records
Formato: LP
Gênero: Pop / Indie Pop

Davi Bittencourt

Davi Bittencourt, nascido na capital do Rio de Janeiro em 2006, estudante de direito, contribuo como redator para os sites Aquele Tuim e SoundX. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Pop e R&B.

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