Crítica | Disciple


★★★

Existe algo na música eletrônica que sempre remete à um formato “tradicional” dentro de cada gênero. Essa palavra está sendo usada no sentido que remete às tradições de comportamento que cada subgênero possui. Sequências de bateria específicas, BPM, formato, tamanho de música… definem cada um deles. E é natural que isso aconteça, afinal, como identificar uma música eletrônica sem compreender cada um desses signos e códigos tão marcantes naturalmente?

O footwork, entretanto, é um gênero que varia com mais frequência, porque tem uma natureza mais despojada, irreverente e surge de um contexto em que a própria vontade de sacanear a música eletrônica era uma premissa. Desse modo, não é de se assustar que Disciple seja um banho de água fria até mesmo para quem está muito acostumado com o gênero.

A mudança entre as faixas, e até mesmo em uma única música são a cereja do bolo desse lançamento de Demosoldier, é uma aventura que desafia os limites do que pode ou não ser considerado parte de uma mesma continuidade. A seleção de samples é variada, mas a maioria associada à música pop, a brincadeira, contudo, está justamente na forma que esses samples são rearranjados; é esquisito, mas não inconveniente.

O maior mérito do álbum, desse modo, é justamente ter um formato plenamente acessível, ao seu modo, funcionando como a melhor e a pior (ao mesmo tempo) introdução ao gênero de footwork que existe. Uma renovação interessante dentro da música eletrônica, que sempre parece, ano a ano, ser o gênero mais volátil e interessante de todos.

Selo: Independente
Formato: LP
Gênero: Eletrônica / Footwork, Juke

Tiago Araujo

Graduando em História. Gosto de música, cinema, filosofia e tudo que está no meio. Sou editor da Aquele Tuim e faço parte das curadorias Experimental, Eletrônica, Funk e Jazz.

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