Crítica | Dog Dreams (개꿈)



★★★★

Segundo disco da cantora reafirma seus signos frente à música experimental.

A figura de Lucy Liyou em busca de sua narrativa eletrônica repleta de texturas ganha uma nova forma em Dog Dreams (개꿈). Aqui, a artista condensa a sua realidade evocativa através de um piano calmamente orquestrado, acompanhado por um som atmosférico repleto de ruídos.

Culturalmente, é um registro rico das representações e referências da artista — cantar em coreano tem como princípio a ligação com as suas raízes. Para isso, Liyou opta pelos caminhos dos sonhos para potencializar sua criatividade repleta de camadas, por vezes exageradas.

À medida que o disco evolui, passando pela ferocidade ASMR de “April In Paris” ou pelas distorções homogéneas, banhadas num glitch captado no meio de uma floresta, de “Fold The Horse”, sentimos o surgimento de uma névoa intensa que penetra pelas fendas da nossa alma – é o sussurro de Liyou.

Sua voz, usada com certo teor de novidade — nunca havia sido abordada dessa forma — é um recurso manipulado em profundidade pela primeira vez. Nos faz lembrar de quando Arca, no disco autointitulado de 2017, fez o mesmo. Mas são circunstâncias diferentes e este é apenas um sopro do excelente trabalho dela.

Selo: American Dreams
Formato: LP
Gênero: Eletrônica / Experimental, Eletroacústica
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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