Crítica | Tarde no Walkiria



★★★½

Ítallo é mestre em tecer a memória.

Tarde na Walkiria preenche os caminhos típicos do pós-MPB adornados com experimentações eletrônicas e composições atmosféricas. Ítallo, dedicado a recompor histórias, nada mais precisa do que sua ilustre admiração pelo tempo.

Apesar de condensar alguns dos aspectos mais acessíveis do pós-MPB, Tarde no Walkiria ainda soa justo e adequado ao sentido moderno que esse quase movimento tem na música brasileira — batidas eletrônicas ajustadas por uma pontualidade sublime dão a virada.

Nessa visão moderna da música brasileira, destaca-se a presença do lo-fi, vapor soul e outros subgêneros que abrem espaços para um conteúdo de maior compatibilidade com a mensagem do artista. "Retrato de Maria Lúcia", uma canção sobre nostalgia, impõe certeza à viagem de Ítallo ao seu próprio imaginário.

Nenhum outro aspecto é tão eficiente quanto as composições e a calma de Ítallo para dar vida às suas histórias. Tarde no Walkiria, no final das contas, é exatamente o que o nome e a capa do álbum demonstram ser.

Selo: LAB 344
Formato: LP
Gênero: Música Brasileira / Pós-MPB
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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