Crítica | Mizuno Mixtape



★★★★

A primeira mixtape de d.silvestre é uma coletânea de ideias e conceitos que explora novas possibilidades criativas dentro da sonoridade própria do produtor.

d.silvestre se consolidou como uma das figuras centrais do movimento de vanguarda do funk paulista com o lançamento de ESPANTA GRINGO, disco que formalizou o power-noise hardcore como peça chave da sua visão experimental sobre o mandelão. Havia, naquele álbum, a vontade de remodelar o gênero, mantendo-se fiel a suas bases, é claro, mas direcionando-o para um lugar incomum e inédito.

Mizuno Mixtape não possui a mesma proposta inventiva — e isso não é um ponto negativo. A questão é que, agora, o objetivo aparenta ser explorar novas possibilidades criativas sem ter a preocupação de criar algo novo ou transgressor. Temos, na verdade, um registro que vê as bases do funk pela lente experimental própria de d.silvestre e, por isso, ele foge do convencional, mas não deixa os aspectos mais tradicionais do gênero de lado.

Nesse sentido, o projeto funciona como uma coletânea de ideias e conceitos que reúne influências diversas, o que justifica sua classificação como mixtape. Dentre elas, o miami bass e o beat bruxaria são as principais, aparecendo, inclusive, juntas na faixa “Montagem Turco Agressivo”, a qual, justamente por reunir dois estilos revolucionários dentro do funk — um que é seu marco inicial e outro que o mantém vivo hoje —, soa como um amálgama de sua história até então.

E mesmo em apenas seis faixas, Mizuno Mixtape consegue capturar a essência do funk paulista por completo. Não só como cena musical emergente, mas também como manifestação de grande relevância cultural, e isso fica claro já no título. Para além do tênis, referências diretas às umbrellas, ao estilo mandrake, e ao famoso baile da Dz7 — o maior de SP — corroboram esse ideal e mostram que o registro tem mais a dizer do que as aparências indicam. É curto e conciso, mas extremamente imersivo e viciante.

Selo: Independente
Formato: LP
Gênero: Experimental

Marcelo Henrique

Marcelo Henrique, 21 anos, estudante e redator no site SoundX e no Aquele Tuim, em que faço parte das curadorias de Pop, R&B e Soul.

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