Crítica | Primavera Sound São Paulo 2023



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Mesmo com uma decaída no lineup em relação à primeira edição, o Primavera Sound continua sendo facilmente o melhor festival para quem gosta de música.

Depois da inesquecível primeira edição do Primavera Sound em São Paulo, com nomes no lineup como Björk, Lorde, Jessie Ware, Mitski, Arctic Monkeys e Caroline Polachek, grande parte do público acabou se decepcionando com o lineup de 2023, que não teve a mesma quantidade de artistas que fazem tanto sentido quanto a edição anterior. No entanto, mesmo assim, conseguiram trazer nomes bastante fortes, principalmente The Cure.

Outra grande mudança foi o local do festival. Desta vez, em vez do Anhembi, que não estava disponível, o evento foi realizado no Autódromo de Interlagos. Confesso que essa notícia também me deixou chateada, pois é um lugar distante para a maioria das pessoas, e é onde acontece o Lollapalooza e The Town, dois festivais extremamente populares com um público enorme. No entanto, o festival ocorreu sem problemas, apesar da localidade. Foi muito bem organizado, utilizando apenas uma parte do autódromo, o que manteve os palcos próximos uns dos outros. Nunca imaginei me sentir confortável em um evento no Autódromo de Interlagos.

Devido a localização distante para a maioria, o metrô operou até às 2h da madrugada, algo que não ocorre no Lollapalooza, mesmo com um público maior e anos de experiência. As filas para entrar no metrô também foram bem organizadas, não sendo um caos para entrar, como em outros festivais.

Outra vantagem foi a ausência de banheiros químicos, ninguém merece utilizar banheiros daquele tipo. Havia banheiros limpos, com torneiras para lavar as mãos e até espelhos. O calor em São Paulo estava intenso e agora é permitido levar garrafas de água para os shows. Mesmo para quem não levou, havia distribuição de água gelada no local e vários pontos para encher as garrafas. Algo que também ajudou muito foi a disponibilização de protetor solar da Neutrogena, algo que nunca havia visto em nenhum evento. Estão de parabéns!

Assim como no ano anterior, mantiveram a tradição de distribuir o copo oficial do festival sem necessidade de comprar mais nada. Agora tenho dois lindos copos como lembrança do Primavera Sound de 2023.

Como nem tudo são flores, houve um pequeno defeito: o vazamento de som de outros palcos. Muitas pessoas que estavam em um palco acabaram reclamando disso. No entanto, só notei esse problema quando estava bem no fundo de um palco e durante o intervalo de alguma música. Não me incomodou muito, mas pode ter irritado muitas pessoas na área.

Metric

Eles colocaram o público pra cima mesmo sob aquele sol fortíssimo. A banda parecia estar se divertindo no palco e contagiou a plateia. Fui a loucura principalmente com a música “Black Sheep”, conhecida por ser trilha sonora de Scott Pilgrim.

The Hives

Sempre ouvi muitos elogios sobre The Hives ao vivo e mesmo não ouvindo muito a banda, fui conferir para saber se era tudo isso mesmo. E estavam certos. Eles são extremamente divertidos, energéticos e interagem muito bem com o público. Foi um espetáculo!

Cansei de Ser Sexy

Este foi o momento que eu mais aguardei no sábado, já que é uma das minhas bandas favoritas e não se apresentavam juntos há alguns anos. Eles entregaram um show cheio de energia e diversão, com o telão exibindo alguns memes e também pelas trocas de roupa da vocalista Lovefoxxx. A banda transmite uma vibe despretensiosa, o que também ficou claro na apresentação ao vivo. No entanto, a performance foi inferior comparada a apresentação no Popload, de 2019, onde trouxeram militância, humor e uma setlist melhor, com vários sucessos. No Primavera Sound, senti falta principalmente da música Superafim, que é um sucesso entre os fãs e ainda é minha favorita da banda.

Marisa Monte

Já havia visto essa turnê antes, mas mesmo assim, me arrepiava a cada canção cantada. Marisa Monte apresentou um cardápio repleto de sucessos e ainda convidou Roberto de Carvalho para homenagearem juntos a eterna Rainha do Rock, Rita Lee.

Kelela

Infelizmente, o horário coincidiu um pouco com o show da Marisa Monte, o que me fez ficar dividida entre os dois palcos. Mesmo assim, toda vez que olhava para o palco da Kelela, ficava hipnotizada, apesar do show ter uma estrutura simples. O público naquele palco era pequeno, porém totalmente apaixonado. É uma apresentação que funciona muito bem no período noturno.

Pet Shop Boys

Um espetáculo visual repleto de sucessos. O duo transformou Interlagos em uma pista de dança nostálgica, com um público emocionado, empolgado e de diversas faixas etárias. Foi um show imperdível.

The Killers

Eu já estava exausta e pensei em ir embora antes desse show, pois já tinha visto The Killers ao vivo no ano passado. Mas, felizmente, mudei de ideia e continuei no festival, porque foi o melhor show do sábado. A banda apresentou muitos sucessos; Brandon Flowers é extremamente carismático e foi impossível não se envolver com a música deles.

Carly Rae Jepsen

Este era um dos shows que eu estava mais ansiosa para ver, e saí totalmente realizada, apesar da apresentação curta que passou muito rápido. Carly foi muito carismática, apostou em dancinhas envolventes com as backing vocals e até se jogou no público durante sua música de maior sucesso, “Call Me Maybe”. Espero que a artista retorne mais vezes ao Brasil.

Marina Sena

Esbanjou sensualidade e talento, Marina Sena é uma das grandes artistas brasileiras da atualidade, mesmo recebendo muitas críticas pela sua voz diferente. O público se divertiu bastante com os sucessos da cantora, e seu balé estava impecável.

Róisín Murphy

Era difícil desviar o olhar dela e não se deixar levar pelas batidas eletrônicas. Róisín apresentou figurinos chamativos que combinavam totalmente com o som de sua música. No entanto, o show ocorreu no final da tarde, e aquela apresentação teria se encaixado melhor à noite. Infelizmente, o show também coincidiu com o horário de Beck, outro artista que eu gostaria de ter visto.

The Cure

Eles encerraram o festival com chave de ouro. O público era imenso e apaixonado. Sorri muito durante esse show, não acreditando que estava presenciando um show de uma das minhas bandas favoritas; parecia um sonho. A voz de Robert Smith é impressionante mesmo após tanto tempo de carreira, e ele continua sendo um cara encantador e elegante! Foram mais de duas horas de show, e algumas músicas inéditas apareceram na setlist, como por exemplo “Hot Hot Hot!!!”, que combinou muito bem com a temperatura que fez neste final de semana em São Paulo.

Conclusão:

Nenhum show me decepcionou, mas o que mais gostei de longe foi The Cure, seguido por Carly Rae Jepsen, Marisa Monte e The Killers. Mesmo super cansada desses dois dias, já estou na expectativa para a próxima edição em 2024.
Vit

Sou a Vit, apaixonada pelo universo musical desde que me entendo por gente, especialmente por vocais femininos. Editora e repórter no Aquele Tuim, onde faço parte das curadorias de Pop, MPB, Pós-MPB e Música Brasileira.

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