Crítica | SYNTHFUNK



★★★½

SYNTHFUNK tem, entre sua densa combustão de ideias, o sentido de combinar a extensa carga eletrônica do funk e de suas vertentes que se colidem com o experimentalismo de gênero.

Unificar os diferentes aspectos que compõem a força brutal do funk é uma tarefa difícil, e quem quer que chegue perto de fazê-lo, merece seus créditos. SYNTHFUNK, de Amante, tem entre sua densa combustão de ideias, esse sentido básico de combinar a extensa carga eletrônica do funk e de suas vertentes que se colidem com o experimentalismo de gênero.

Existem, no entanto, algumas limitações técnicas e conceituais que acabam por reduzir os efeitos provocados pela intensidade da acepção temática, ou seja, apesar das intenções cuja obra se apoia, algumas barreiras impostas à sua execução impedem que o refinamento musical seja, de fato, efetivo. Mas há que se elogiar os momentos de pura cacofonia, com batidas que não têm medo de ir além das suas composições estéticas habituais e por vezes comuns no melhor dos sentidos.

Faixas como “2000” e sua roupagem nostálgica porém explosiva, e “Dejár” em que a repetição calculada se desvanece com calma, reproduzem a avidez do ritmo que se mantém intenso do início ao fim, apesar da duração exceder o necessário quando há, como mencionado anteriormente, certas contravenções às quais qualquer material postado no DIY é suscetível. Por fim, fica a impressão de que Amante tem em mãos tudo o que é necessário para continuar propondo a sua geleia geral do funk brasileiro como música eletrônica de vanguarda.

Selo: Arca A Produção
Formato: LP
Gênero: Funk / Experimental
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

Postagem Anterior Próxima Postagem