Crítica | IGOOOR (A mixtape)


★★★½

IGOOOR (A mixtape) é um experimento simples, mas recheado de substância

A música eletrônica no Brasil não é muito forte. Na camada mais visível temos os tenebrosos e traumatizantes slap house e brazilian bass, dominados e criados por Alok e que possibilitaram os piores remixes que a humanidade já viu, e, talvez pior ainda, o mega funk. Em seguida, temos alguns estilos do funk que flertam com movimentos eletrônicos mais puxados para um intenso hardcore, como o beat bruxaria e o mandelão (não comentamos sobre o brazilian phonk). E é só então que começamos a encontrar estilos mais diversos, como o drum and bass, o psytrance, outros estilos de house, techno e etc.

Em IGOOOR (A mixtape) temos um encontro voraz de estilos raramente aproveitados no cenário brasileiro, com pitadas leves — mas definitivamente marcantes e fundamentais ao disco — de funk pesado, o que é uma consequência lógica, mas que estava demorando para acontecer. Assim, mesmo que confortável em fluxos estranhamente predeterminados, visto que o industrial é experimental por natureza — e por essa razão ter uma ruptura estética, que poderia ser guiada pelo funk, quase inexistente —, a mixtape se sucede ao executar com excelência suas fundamentações e provocar com certa garra um ouvinte mais desavisado.

O ponto mais interessante do disco é o seu tempo desacelerado, que transforma músicas que seriam, sem muitos esforços, reconhecidas como hardcore em meditações vagarosas, opressivas e reincidentes de technos fortemente industriais, arrastadamente cacofônicos e dissidentes em seus próprios ritmos. Outra característica forte é um esforço recompensador em percussões naturalmente potentes e muito bem enoveladas, causando um efeito de insistência e claustrofobia sincero e onipresente por todo o projeto, mesmo que por vezes atenuado.

No geral, IGOOOR (A mixtape) é um experimento simples, mas recheado de substância, faixas bem compostas e unicidade — mesmo que a maioria disso decorra de uma escassez de trabalhos de gêneros semelhantes no Brasil. Recomendo vigorosamente para fãs de funks hardcore, música eletrônica e música experimental, pois tem de tudo um pouco e sucede em vários âmbitos bem e agradavelmente.

Selo: Independente
Formato: Mixtape
Gênero: Eletrônica / Experimental, Techno Industrial, Electro-Industrial, Funk Brasileiro
Sophi

Sophia, 18 anos, estudante e redatora no Aquele Tuim, em que faço parte das curadorias de Rap e Hip Hop e Experimental/Eletrônica e Funk.

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