Crítica | Slut Pop Miami



½

Slut Pop Miami é um projeto extremamente nauseante de ouvir, pois suas produções são pessimamente elaboradas e a performance de Kim Petras carece de energia.

Em 2022, Kim Petras lançava Slut Pop, um EP que tinha como proposta trazer canções sobre sexo descontraídas para o dia de São Valentim. O resultado desse projeto foi péssimo, pois, além das letras constrangedoras, quase tudo na produção soava extremamente intragável. Apesar da recepção ruim do trabalho, a artista decidiu fazer mais obras que seguissem a mesma linha. O que poderia se esperar de Slut Pop Miami, sequência para o mini-álbum de 2022, era que, ao menos, ela consertasse alguns dos erros, porém, isso não acontece e seu novo lançamento potencializa ainda mais as piores características de Slut Pop.

As péssimas escolhas na produção são um problema à parte. Quase todos os elementos usados ao longo do registro são extremamente indigestos. Em “Cockblocker” e “Banana Boat”, por exemplo, os sintetizadores utilizados evidenciam uma experiência nauseante. Enquanto “Gag On It” apresenta melodias de piano que, junto às suas batidas house e bassline, são profundamente insuportáveis de ouvir. Já “Slut Pop Reprise” até tem alguns pontos altos nesse aspecto, com certas influências do french house bem feitas, no entanto, isso é ofuscado por diversas falhas, com a abertura errando ao fazer o uso de detestáveis synths e baixos eletrônicos.

Se no mínimo Kim Petras entregasse uma performance carismática em certo nível, talvez as canções do projeto pudessem soar mais palatáveis. Um ponto positivo que devo citar de Slut Pop era que a artista ao menos se esforçava para trazer uma energia cativante para o EP, embora por vezes essa tentativa soasse forçada demais. Em Slut Pop Miami, entretanto, seu vocal carece tanto de qualquer carisma que parece que a cantora nem tentou trazer algo interessante quanto a isso.

O único momento durante o álbum que consegue cativar o ouvinte é “Head Head Honcho”. Em meio a tantas músicas que sofrem de melodias e produções indigestas, essa faixa consegue se destacar com seu synthpop sedutor. A instrumentação faz ótimo uso dos sintetizadores e das baterias de electro-funk que tornam a canção muito envolvente, além disso, é uma das poucas faixas melodicamente divertidas. É uma música pop sem substância ainda, igualmente a todo o restante da obra, porém era o que esperava de um registro com a única intenção de criar canções dance-pop descontraídas sobre sexo.

Se Slut Pop Miami conseguisse apresentar a mesma diversão de “Head Head Honcho”, a experiência de escutá-lo seria muito melhor. Mas, infelizmente, durante o resto do registro, as produções são pessimamente elaboradas e a performance de Kim Petras carece de energia, criando um projeto extremamente nauseante de se escutar.

Selo: Amigo Records
Formato: LP
Gênero: Pop / Dance-Pop
Davi Bittencourt

Davi Bittencourt, nascido na capital do Rio de Janeiro em 2006, estudante de direito, contribuo como redator para os sites Aquele Tuim e SoundX. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Pop e R&B.

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