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Torn é o álbum de estreia da artista sueca Cobrah, que se preparava para o lançamento desde 2019, quando lançou o EP ICON. Mas foi somente com o EP COBRAH, de 2021, que ela realmente mostrou do que era capaz. O álbum estabeleceu muito do que ela agora define como parte de sua identidade musical. A questão é que, após quase cinco anos tentando se firmar, Cobrah finalmente o fez com um material que parece conter apenas uma pequena fração, uma lasca da superfície, um fragmento minúsculo de tudo o que ela explorou melhor em seus EPs.
O que sempre chamava a atenção era como sua voz suave e refinada, rarefeita, contrastava com o som, sempre adornado com batidas eletrônicas excessivas, uma velocidade que raramente lhe permitia descansar antes de mergulhar no tom sombrio do g-house e nas batidas efervescentes do electropop com hip house que se tornaram suas marcas registradas.
Note que parte disso ainda está presente em momentos como “Platinum”, mas apenas nos segundo finais. É como se aqui Cobrah diluisse o som constantemente para soar menos agressivo, inclusive em termos de design, pois absolutamente nada chega perto de faixas como “GOOEY FLUID GIRLS” e seu turbilhão plastificado e artificial no melhor sentido possível. O que temos, como um todo, é uma intensa suavização da força que suas batidas podem ter, exemplo nítido em “Hush”, que repete a fórmula de deixar esses instantes de maior intensidade no final, com a exceção de que, desta vez, a faixa não parece crescer e sim diminuir.
“Charming” e “Snow White” são tão amenas que chega a causar cansaço… o que é bem estranho dado apenas os trinta minutos de duração do álbum. Por sorte, “Excusez Moi” ainda consegue recuperar o ritmo, e avança como sendo o grande destaque de Torn. É apenas nesta faixa, infelizmente, que Cobrah parece fazer jus ao título do disco. A repetição de “excusez moi” ao lado de arranhões quase dub aprofundam o seu desdém de letras e temas complexos demais, que deixam o disco mais sério do que poderia ser, coisa que ela priorizou fazer aqui por ser sua estreia completa: “Com Torn, eu sou muito mais eu mesma como pessoa; as músicas partem da minha vida real. É um pouco assustador. Eu adoro criar personagens. Adoro inventar coisas e ser extrema — e ainda estou fazendo isso neste álbum — mas também estou tirando tudo isso de cima e apresentando o meu eu real como um personagem.”
Selo: Gagball, Atlantic
Formato: LP
Gênero: Eletrônica