Crítica | What Happened to the Beach?


★★★½

Em What Happened to the Beach? as músicas carecem daquele fio viciante que tornou os trabalhos anteriores de McKenna tão interessantes.

Declan McKenna, em seu novo álbum, mostra um declínio em relação aos seus dois primeiros projetos. Em What Happened to the Beach?, o artista busca conectar-se com a neo-psychedelia. Em grande parte, é uma experiência satisfatória; no entanto, o álbum peca com canções que passam despercebidas, sendo fácil de se perder nelas. Para os amantes de What Do You Think About the Car? e Zeros, What Happened to the Beach certamente parece totalmente deslocado do que McKenna buscava explorar. As músicas não conseguem capturar a atenção do público da mesma forma e carecem daquele fio viciante que tornou os trabalhos anteriores de McKenna tão interessantes.

Diante disso, o artista explora meios de expandir a consciência e a espiritualidade através de vocais profundos e distorcidos, os quais se conectam com uma fusão de batidas e sintetizadores que se adequam a mudanças sutis e drásticas, adicionando um dinamismo ao álbum – que nesse caso, não acarreta em sua totalidade.

O álbum em si foca em mostrar os altos e baixos do trabalho artístico de McKenna, assim como apontado no verso de "Nothing Works": “You tell me I don’t relate to kids no more / Now, I feel like I’m letting them down / What’s the point runnin’? / Not like I’m up-and-comin’ anymore”. Além disso, o álbum fala da nostalgia, da mudança e a sensação de isolamento, enquanto Declan busca entender o que aconteceu com o lugar que costumava ser seu refúgio, mas que agora foi transformado pela vida moderna e pela passagem do tempo: “what happened to the beach? / 'cause life's really changing”

O disco também possui momentos interessantes que facilmente se conectam com o ouvinte, como "Elevator Hum", que se encarrega pela busca por conexão e compreensão mútua, enquanto os desafios internos e externos são confrontados. Mesmo diante das diferenças superficiais, há uma essência em comum pela busca da liberdade e da felicidade; "Sympathy" questiona incessantemente a competição e o destaque, enquanto "Mulholland's Dinner and Wine" narra uma dualidade entre a monotonia da vida cotidiana e a tentação de se entregar às experiências, representando um conflito entre desejo, estabilidade e a necessidade de aventura — essas são canções que de certa forma deram uma visão distorcida do caminho que esse novo material iria seguir.

Para além dessas canções destacadas anteriormente, apenas “I Write The News” e “The Phantom Buzz” conseguem trazer a essência musical de McKenna diante da sua clareza e maturidade. Por outro lado, faixas como “Breath Of Light”, “Honest Test”, “Mezzanine”, “It’s An Act” e “4 More Years”, soam desinteressantes, parecem fórmulas predefinidas que resultam em um som homogêneo e apático. A tentativa de McKenna de entregar novas experiências de certa forma refletiu no álbum; às vezes é bom sair da zona de conforto, para explorar novas possibilidades, mas isso não significa que tal mudança irá agradar alguns ao longo do caminho.

Selo: Columbia
Formato: LP
Gênero: Pop / Rock

Brinatti

Graduando em Ciências Sociais, com ênfase em Antropologia e Sociologia, 27 anos. É editor e repórter do Aquele Tuim, em que faz parte das curadorias de MPB, Pós-MPB, Música Brasileira e Pop.

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