Crítica | Discon



★★★½

Discon dispensa linearidade temporal e musical.

Formado em 1984, o grupo Kapotte Muziek passou anos de sua carreira se dedicando às mais diversas formas de música eletrônica. Desse processo, em que se deu em diversas apresentações ao vivo, surgiu a intenção de condensar parte do repertório do grupo em um álbum que fosse, acima de tudo, uma representação de todos esses anos em que estiveram juntos.

Discon emerge disso, porém, com o acréscimo de uma provocação simples, mas duradoura: é possível resumir anos de estrada em um só material, com começo, meio e fim? Na verdade, essa provocação fica bastante evidente à medida que o álbum avança. É nele que residem elementos retirados de gravações, restos musicais deixados no ato de lapidar uma faixa, etc., tudo isso, e um pouco mais, é mixado ao longo de 13 músicas, que dispensam linearidade temporal e musical.

São peças que viajam no tempo, de 1995 a 2012, o fazendo através de microssons, com quebras instantâneas, e ruídos perturbadores que parecem tirar qualquer um da sua órbita. É mais do que um disco de um grupo de música experimental que faz improvisações eletrônicas baseadas na eletroacústica: é um registo único que deixa marcas profundas em quem o ouve.

Selo: Krim Kram
Formato: LP
Gênero: Experimental / Eletroacústica, Musique concrète
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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