Crítica | “I LUV IT”



★½

Cinco, seis, sete…? Sete. Sete anos de carreira solo e Camila Cabello ainda não sabe o que quer.

Camila Cabello, qual foi a última vez que ouviu esse nome em boa conotação? Certamente não quando Familia foi lançado, quem sabe em 2017, a época em que ela ainda era uma artista “nova” — mesmo que seja uma solista do Fifth Harmony — com um suposto potencial. Mas não é como se ela precisasse de qualquer espécie de validação artística, qualquer forma de apreço ou fãs, não, está vivendo muito bem em Miami ou Hollywood com o dinheiro que vem diretamente dos bilhões de plays de “Havana” e “Señorita” nas Renners e Riachuelos espalhadas mundo afora.

Porém, quando esses artistas — termo utilizado por falta de outro melhor —, que têm uma integridade e desejo pela música tão profundos quanto uma piscininha natural, “tentam” (entre muitas aspas) sair de sua zona de conforto, o resultado muitas vezes desmorona sobre si mesmo pela sua incapacidade de escapar da “farofa”. É o caso de “I LUV IT”, música que tem um objetivo comercial enjoativo de tão claro, mas que ainda sim escapa de certos moldes mercadológicos do espaço artístico que Cabello ocupa.

Resumidamente, a faixa opera naquela mistura estética TikTok/Pinterest, transcrevendo essa decisão por meio de um refrão extremamente repetitivo, ritmo rápido, uma capa forçosamente “aesthetic”, mixagem suja, sintetizadores confusos e, claro, a participação especial de um dos maiores popstars da atualidade, Playboi Carti. É ridículo o quão TikTok a faixa tenta ser, de forma tão exagerada que descaracteriza completamente todos os aspectos, interessantes ou não, do sentido comercial e sonoro da plataforma, assim traduzindo uma alma artística fraquíssima através dos nauseantes “I love, I love, I love, I love…”.

Ou seja, apesar de tentar algo diferente do habitual da cantora, “I LUV IT” consegue passar a exata mesma impressão do resto de seu trabalho — termo utilizado justamente pelo seu teor industrial e rotineiro —, pois não adianta mudar de público-alvo, mudar a estética e “arriscar” em uma febre tão específica como o jersey club se nenhuma dessas alterações são genuínas, cativantes ou significativas. Infelizmente, Camila Cabello tem sete anos de carreira e em nenhum deles houve uma mínima evolução artística.

Selo: Interscope
Formato: Single
Gêneros: Pop / Eletropop, Jersey Club
Sophi

Sophia, 18 anos, estudante e redatora no Aquele Tuim, em que faço parte das curadorias de Rap e Hip Hop e Experimental/Eletrônica e Funk.

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