Crítica | Spectral Evolution



★★★★

As longas melodias de Spectral Evolution entram no drone e transbordam para o jazz como parte da teorização de novos espaços criados por Rafael Toral.

Rafael Toral é um tremendo inventor. Claro que receber esse título hoje em dia não é a mesma coisa que seria na Idade Média ou na Renascença. Mas, embora haja uma certa facilidade moderna em desenvolver múltiplos aspectos do conhecimento e da vida cotidiana, na música, há uma certa importância no analógico, no velho e no empoeirado.

Ciente disso, Rafael Toral busca provocar a imersão justamente a partir desses pontos. Entre as realizações mais interessantes do artista está o oscilador de eletrodos, por ele apresentado no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. É uma peça simples, mas com um forte poder de expansão, que aliada a alguns instrumentos e à ideia própria do artista, acaba por alimentar a sua possibilidade de inovação.

Mas esta fixação pelo inovador também é natural. É por isso que Spectral Evolution é o trabalho mais orgânico de Rafael. Suas longas melodias entram no drone e transbordam para o jazz como parte da teorização de novos espaços que o artista cria. São ondas sintéticas que evoluem à medida que o silêncio enfrenta um choque com alguns ambientes tecnológicos ocupados pela presença de vida. É uma das melhores criações que um inventor como ele poderia fazer.

Selo: Drag City / Moikai
Formato: LP
Gênero: Ambiente / Electroacústica, Drone, Jazz
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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