Crítica | Akoma



★★★½

Akoma condensa a multidisciplinaridade de Jlin, sua adaptação ao novo e sua capacidade única de traçar referências.

Akoma tem todos os sinais movediços de Jerrilynn Patton. Desde sua passagem pelo footwork, que ainda reflete sua velocidade em meio a ganchos desafiadores, até os ornamentos mais dispersos e sensíveis de estilos alinhados às tonalidades da música moderna, tudo aqui soa originário do ponto de vista criativo.

Mas o que mais chama a atenção, provavelmente, é a presença de alguns artistas convidados que não só reforçam a importância de Jlin na cena, mas também sua incrível capacidade de traçar referências. Na faixa de abertura, “Borealis”, em parceria com Björk, há uma modulação seca, cujos vocais quase imperceptíveis parecem assumir novas posições antes inusitadas. Algo semelhante ocorre com o Kronos Quartet em “Sodalite”, em que violinos agudos se fundem ao sublime jogo de texturas e ritmos desenhados por Jlin em ordem corrosiva.

Philip Glass em “The Precision Of Infinity”, que encerra o álbum, soa tão livre de suas composições que ao se posicionar ao lado de dedilhados simples, mas ruminativos, acaba cumprindo outro aspecto importante trazido por Jlin neste trabalho: sua adaptação ao novo. Para quem hoje se tornou a representação máxima de determinado gênero, buscar certas alternâncias é uma tarefa difícil, e aqui vemos o exato ponto em que isso pode ser feito com maestria.

Selo: Planet Mu
Formato: LP
Gênero: Eletrônica / Footwork, IDM
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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