Crítica | Found Heaven


★★

Em Found Heaven, Conan Gray quis seguir um rumo diferente daquele que havia tomado até então, mas acabou ficando completamente perdido.

Em Found Heaven, o cantor e compositor Conan Gray quis testar a si mesmo com o seguimento de uma direção diferente daquela percorrida por ele até o momento, guiada pelo traço da escrita perspicaz de Taylor Swift e de Lorde. No entanto, assim como em seus álbuns anteriores, Kid Krow (2020) e Superache (2022), o jovem cantor continua desajustado dentro das suas próprias músicas, mudando apenas o nível de agravamento desse problema para pior.

O que colaborou para isso foi, primeiramente, a visão criativa limitada de Max Martin, que trabalhou com Conan juntamente de ILYA e outros produtores. Reconhecido mundialmente pela produção de clássicos da música pop, como “...Baby One More Time” de Britney Spears e “I Want It That Way” do grupo Backstreet Boys. Martin não anda fazendo justiça ao próprio nome recentemente, e essa decadência refletiu diretamente em Found Heaven.

Max e seus colaboradores, em linha com a premissa redigida por Conan, compuseram canções entusiasmantes de synthpop oitentista, todavia, utilizando desavergonhadamente de moldes frequentes do ressurgimento do dance-pop em 2020. Dessa forma, Found Heaven acaba soando muito obsoleto. E, para piorar o que já tá ruim, o trabalho desempenhado por Martin e seus colegas na engenharia das gravações é péssimo. Os instrumentais das canções soam abafados, como se faltassem maior volume e, principalmente, melhor polimento.

Da mesma forma, ou até pior, estão Conan e sua performance vocal. Mesmo tendo se passado um bom tempo desde que iniciou sua carreira como cantor, Gray não parece saber manusear com precisão o seu timbre de voz. E isso resultou na entrega de notas desajustadas, que dificultam a conexão do público com as letras que escreveu. Inclusive, vale ressaltar que suas composições são um dos poucos pontos positivos de Found Heaven, visto que fazem um retrato maduro sobre as complicações de relacionamentos amorosos e os terríveis fins que podem tomar, sendo “Abbey Rose”, “Winner” e “The Final Fight” os melhores exemplos disso.

Assim sendo, conclui-se que mesmo seguindo os passos de Taylor Swift, ou tentando dar os seus próprios, Conan ainda parece completamente perdido. Não parece saber como seguir em frente sem fazer uso de artifícios ordinários da música pop. E, honestamente, espero que algum dia consiga sair dessa confusão e melhorar de alguma forma, pois o ver nessa situação é deprimente. Tão deprimente quanto um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Selo: Republic
Formato: LP
Gênero: Pop / Synthpop, New Wave
Bruno do Nascimento

Sou Bruno, tenho 18 anos, sou autista, paraibano, escritor e estou terminando o Ensino Médio. Amo escrever e comentar sobre música onde passo, inclusive no Aquele Tuim, em que faço parte da curadoria de Música Brasileira e Pop.

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