Crítica | Underdressed at the Symphony


★★

Faye Webster, em seu terceiro álbum, Underdressed at the Symphony, segue um caminho diferente do determinado pelo seu antecessor, se inteirando de gêneros dos quais ela nunca trabalhou anteriormente.

Faye Webster, em seu terceiro álbum, Underdressed at the Symphony, segue um caminho diferente do determinado pelo seu antecessor, I Know I'm Funny haha, de 2021. Ao contrário do antigo, cujas produções são caracterizadas por melodias densas e apaixonantes de alt-country e folk, este novo disco é mais inteirado no soft rock e no indie pop, gêneros dos quais ela nunca trabalhou anteriormente. Webster, nesse projeto, nos conduz por uma adorável sinfonia, orquestrada por toques incisivos de piano, batidas de bateria, arranjos de guitarra e entre outros, estando, por sua parte, mais vulnerável; nos viabilizando, assim, um atalho até o íntimo de seu ser, que se revela mais identificável e consueto do que poderíamos ter imaginado.

Esse novo direcionamento pelo qual decidiu prosseguir ajudou Webster a chegar em lugares antes desconhecidos e se aperfeiçoar musicalmente. Ademais, ajudou a elucidar a proposta que redigiu para esse projeto em particular: a de mostrar quem Faye é e como vive enquanto uma artista contente com sua vida, mas ainda um pouco insegura na tomada de passos importantes. Underdressed at the Symphony é uma exibição encantadora da rotina estruturada pelo jovem contemporâneo na atualidade, que de vez ou outra se preocupa com os prováveis fins que o início de um relacionamento íntimo podem tomar (“But Not Kiss”), fica ansioso com coisas das quais não tem controle (“Wanna Quit All The Time”) e comemora os mais singelos sinais de reciprocidade amorosa (“He Loves Me Yeah!”), porém, apesar de todas as dificuldades, ainda consegue se manter esperançoso com o futuro e satisfeito com o presente.

No entanto, seu desconhecimento e, principalmente, inexperiência no soft rock e indie pop a fizeram recorrer à utilização de modelos muito usuais desses gêneros, fazendo-a perder um pouco de sua autenticidade. E, por mais que saibamos que o trabalho simples e direto na discussão de seu dia a dia tenha sido uma escolha consciente feita por Webster, é inegável o fato de que isso fez com que o álbum ficasse muito trivial. “Feeling Good Today”, último single lançado, é uma rasa, e, consequentemente, dispensável, canção sobre estar animada para visitar seu irmão e sua nova namorada. Por mais que esse conceito possa parecer algo fascinante para a compositora, é extremamente entediante para quem ouve. E “Thinking About You”, mais do que uma instrumentação deslumbrante, também tangencia camadas muito superficiais em sua composição, que dessa vez discorre sobre o amor e paixão — sentimentos estes complexos, merecedores de um desenvolvimento melhor. O pior de tudo é que a música conta com apenas dois versos curtos separando repetições exacerbadas de um refrão cansativo por longos e intermináveis seis minutos de duração.

Underdressed at the Symphony, sem a menor sombra de dúvida, é o pior e mais inconsistente trabalho já feito por Webster, no entanto, felizmente, demonstra grande potencial que ela possui dentro de outros gêneros ao não ser o country. Portanto, acaba por não ser completamente decepcionante. No entanto, espera-se que a cantora retome as boas práticas e volte a criar canções únicas e estupendas como as de seus antigos registros, pois essa caminho que decidiu seguir se provou um grande beco sem saída.

Selo: Secretly Canadian
Formato: LP
Gênero: Rock / Soft Rock, Indie Rock
Bruno do Nascimento

Sou Bruno, tenho 18 anos, sou autista, paraibano, escritor e estou terminando o Ensino Médio. Amo escrever e comentar sobre música onde passo, inclusive no Aquele Tuim, em que faço parte da curadoria de Música Brasileira e Pop.

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