Crítica | At the Drolma Wesel-Ling Monastery



★★★½

Em At the Drolma Wesel-Ling Monastery, Howie Lee reinterpreta cantos budistas com ajuda do IDM e do footwork.

Howie Lee é um dos nomes mais interessantes — e artisticamente livres — da cena eletrônica que se desenvolveu em Pequim há alguns anos. A sua obra é uma mistura de ritmos tradicionais (culturais e políticos) de muitos dos signos musicais que se perpetuaram na China nos últimos setenta anos. Socialism Core Value III, de 2019, é o melhor já feito pelo produtor nessa perspectiva.

At the Drolma Wesel-Ling Monastery, entretanto, ainda contém os mesmos fragmentos desatualizados do estilo de Lee, mas é mais atual em suas explorações de raízes filosóficas. Na obra, cantos budistas tibetanos são reinterpretados, todos orquestrados com futurismo eletrônico, distorcidos pelo IDM e reconstruídos por intenso trabalho de footwork em peças como “Mantra of Manjushri 文殊菩萨心咒” e “Mantra of Vajra Armour 防瘟疫咒”— o resumo perfeito do álbum.

É curioso notar que, tal como fez em Socialism Core Value III, Howie Lee está longe de assumir uma posição ou de se encarregar de qualquer menção que não seja a música. A sua relação está visivelmente centrada na arte, e se no passado o socialismo chinês tomou forma na sua visão, agora é a vez do budismo tibetano. Tudo cabe em seu espaço de trabalho.

Selo: Mais Um
Formato: LP
Gênero: Eletrônica / IDM, Footwork
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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