Crítica | Fearless Movement


★★½

Fearless Movement exibe uma luta entre o jazz e sons a ele associados no campo da modernidade do gênero – Kamasi Washington é nocauteado, e nós também.

É interessante notar que existem hoje diferentes concepções de jazz, há quem se baseie no nível da expressão (ou no espaço demográfico do gênero e nas suas raízes), e há também quem procure conhecê-lo através do seu som, ou da ideia de assistência programática à qual hoje observamos qualquer tipo de música.

Isso, no entanto, é um erro. É repetitivo dizer que a música não tem intenções maiores do que a sua própria significação. O jazz, como música, evoluiu, tanto que há quem diga que o jazz já nem é jazz. Claro que existe uma concepção de valores sobre o que esta evolução representa para além da musicalidade e da política.

E Fearless Movement, do saxofonista Kamasi Washington, é uma das peças que mais exemplifica essa inconsistência de classificação no jazz. É um álbum forjado com a pura intenção de dar ao fusion uma estratégia superior à sua natureza eclética. Jazz-rap! Ou apenas Jazz com rappers. Poderia ser ambos, certo? Não havendo regras, chama a atenção como os artistas aqui presentes destacam a operacionalidade do jazz e das sonoridades a ele associadas.

Mas é, ao mesmo tempo, criativo, muito limitado. Como se para alcançar um resultado verdadeiramente clássico fosse necessário reforçar os sinais da própria devoção, optar pela acessibilidade e tentar não ser acessível. É estranho. Além disso, obriga-se a ocupar um espaço de dificuldades desnecessárias, resultantes precisamente deste esforço extremamente calculado e meticulosamente produzido para soar austero face às suas perturbações.

Selo: Young
Formato: LP
Gênero: Jazz / Jazz Fusion
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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