Crítica | POST HUMAN: NeX GEn


★★★★

O novo disco de Bring Me The Horizon, POST HUMAN: NeX GEn, é carregado de energia.

Penso que as principais qualidades que tornaram o trabalho de Bring Me The Horizon provocativo foram as energias arrepiantes de suas músicas e a forte instrumentação e performance alinhada ao excelente caráter melódico. Claro que houve projetos individuais que se destacaram em algum aspecto específico, como Post Human: Survival Horror, em que foi tomado um rumo um pouco diferente, trazendo momentos fortemente influenciados pelo industrial que configuravam uma sonoridade mais agressiva. Para o trabalho artístico da banda em geral, porém, foram essas características que prevaleceram.

Em POST HUMAN: NeX GEn as melhores características de sua obra musical são apresentadas com veemência. “Kool-Aid” se destaca por maximizar a agressividade da instrumentação metal que resulta em algo arrepiante, ao mesmo tempo em que não deixa de lado o caráter melodioso fenomenal. Esses são dois aspectos excelentes presentes em diversas outras faixas do grupo que aqui se mostram ainda mais intensas. Ademais, grande parte do registro é marcado por uma energia eletrizante, advinda das guitarras e baterias, performances poderosas e construções sonoras extremamente divertidas, como pode ser visto em “DArkside” e “a bulleT w/ my namE On”.

Um fato curioso no som do disco é que Bring Me The Horizon impõe, em diversos momentos, influências eletrônicas, as quais têm êxito em, alinhado ao metal divertido, elevar a carga energizante, uma das principais qualidades da obra. Em “Top 10 staTues tHat CriEd bloOd” o rock com elementos eletrônicos é feito de forma a criar caráter eufórico e arrebatador. Da mesma forma, com “LosT”, cujos sintetizadores precisamente posicionados ao lado das guitarras e bateria resultam em momentos extremamente de puro êxtase. Já “R.i.p” é a que tem resultado mais difuso nessa mistura excepcional. A produção hyperpop com drum n’ bass mesclado ao metal é muito bem ajustada, criando música hipnotizante do início ao fim.

Há, em meio a momentos extremamente divertidos, algumas faixas que tropeçam em determinados pontos. “Limousine” apresenta uma performance entusiasmada de Aurora. Os vocais da artista, ao mesmo tempo suaves, despertam uma certa ferocidade que combina bem com o metal. Apesar disso, a produção instrumental é uma das mais fracas do álbum. Isso acontece porque há uma tentativa de torná-lo mais sombrio e agressivo, o que soa forçado e, assim, acaba provocando um resultado genérico. “n/A” começa como um pop rock com influências emo que transitam para o metal de modo muito estridente. Porém, mesmo tendo seus pontos baixos, isso não ofusca a energia edificante construída ao longo de grande parte do disco que o torna extremamente fascinante.

Selo: Sony Music Entertainment UK
Formato: LP
Gênero: Rock / Emo-Pop, Alternative Metal
Davi Bittencourt

Davi Bittencourt, nascido na capital do Rio de Janeiro em 2006, estudante de direito, contribuo como redator para os sites Aquele Tuim e SoundX. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Pop e R&B.

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