Crítica | Liquorice



★★★

Hatchie se destaca pelo seu trabalho que tem uma atmosfera retrô, mas ao mesmo tempo refrescante para o cenário pop atual. A cantora, nesse sentido, evoca muito bem a essência das bandas de dream pop e jangle pop dos anos 90, como Cocteau Twins. O trabalho parece ser forte fruto dessa época, no entanto, ela tem o conhecimento excelente das sensibilidades desses gêneros para operar com suas diversas características de maneira que passa do superficial ao mergulhar profundamente em suas referências.

Sua música no geral transporta a um ambiente pacífico, relaxado e sonhador com as guitarras e baterias carregadas de efeitos de reverb. É interessante, em especial, o resultado quando a produção dosa a utilização desses efeitos com a preservação do timbre natural das guitarras de jangle pop, criando um som tão aconchegante que soa angelical, isso acontece principalmente na faixa “Only One Laughing”.

Em outros momentos, como em “Liquorice” e “Carousel” a mistura dos sintetizadores airosos com guitarras nebulosas é fortemente manifestada, criando um ambiente apaixonantemente sonhador. Outro aspecto destacado é a psicodelia do dream pop criada a partir de seus efeitos com um tom surreal e hipnótico, “Sage”, especialmente, é uma canção que mergulha nos elementos alucinógenos. É um disco que, nesse sentido, guia o ouvinte às diversas sensibilidades que constituem a natureza do dream pop e constrói uma obra que realiza com maestria o que consiste nas características mais excitantes do gênero.

Selo: Secretly Canadian
Formato: LP
Gênero: Pop / Dream Pop, Jangle Pop
Davi Bittencourt

Davi Bittencourt, nascido na capital do Rio de Janeiro em 2006, estudante de direito, contribuo como redator para os sites Aquele Tuim e SoundX. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Pop e R&B.

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