Crítica | Unção Honrosa


★★

Com recorte totalmente voltado ao synth-pop e uma sonoridade que brinca com o experimentalismo do gênero amplo, Astra Vaga surge no mercado da música pop alternativa com Unção Honrosa, seu disco de estreia. Já conhecido na cena musical portuguesa, o artista apresenta aqui um trabalho que expande suas referências e consolida uma identidade própria.

Criado e produzido durante um período de nomadismo — em diferentes casas e contextos de vida —, o disco carrega uma ambientação forte marcada pelo uso constante de sintetizadores. As faixas atravessam temas como tristeza, saudade e amor, sempre envoltas por uma melancolia urbana. Um projeto de transformação e ruptura pessoal, que inevitavelmente se reflete também no campo artístico.

Mesmo cantando em português, o sotaque do artista não é neutralizado. Pelo contrário, ele se torna parte fundamental da experiência, ajudando a criar um cenário sonoro particular e facilmente reconhecível. A voz, aliás, não busca protagonismo técnico, mas atua como veículo emocional, em diálogo direto com o pós-punk e o indie dos anos 80. “Noite a Cair”, por exemplo, se destaca pra mim como a melhor faixa do disco.

Essa identidade também se estende ao campo visual. Os videoclipes em formato analógico reforçam a estética do disco e ampliam sua atmosfera, tornando o projeto ainda mais interessante como obra completa. Curto por escolha, o álbum funciona como um diário condensado, sem excessos.

Unção Honrosa é um disco acessível, ideal para quem busca se aproximar de novas musicalidades, e aponta Astra Vaga como um artista com bastante potencial pela frente — seja explorando outros idiomas ou experimentando novas energias criativas.

Selo: Saliva Diva
Formato: LP
Gênero: Pop / Pós-Punk

Viviane Costa

Graduanda em Jornalismo, apaixonada por Música, Arte e Cultura. Integra a curadoria de Rap e Hip Hop do Aquele Tuim.

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