Crítica | ALL ROADS LEADS HOME



O hip hop londrino nunca esteve tão em alta como nos dias atuais, e clara parcela desse sucesso se deve ao estilo forefront de Oakley Niel, ou Central Cee, como preferir. A mistura de linhas cruas e inspiradoras, bastante palatáveis para o grande público, catapultou o nativo de Shepherd Bush para o estrelato quase que imediato, dado ao sucesso do chiclete, mas igualmente desinteressante single “Doja”, em que se gabava de ter um interesse amoroso que flutuava por gêneros e colocava em justaposição a artista de mesmo nome. O single é claramente um dos exemplos mais fatídicos que temos do que podemos chamar de músicas para a internet. É quase cômico observar e denotar como a música foi feita claramente para viralizar em aparelhos eletrônicos e criar uma cultura de danças virais, o que obviamente se concretizou.

Depois disso, mais projetos o consolidaram como o novo nome do Reino Unido, como o consistente e o seu melhor projeto 22, que mostrava letras inspiradoras e que também flertavam com a paranoia da sua ascensão, mesclando perfeitamente com músicas românticas bem construídas – para o gênero, óbvio. O que se sucedeu não foi algo tão agradável. CAN'T RUSH GREATNESS, que era a afirmação do seu estrelato e considerado como a sua victory lap, é irritavelmente inconsistente e completamente desinteressante, quase como uma playlist mal organizada. É totalmente o contrário do que tinha sido construído no projeto anterior. Nele, vemos um prenúncio do que muitos da alta massa não conseguiam identificar: ele estava sem o que falar.

ALL ROADS LEAD HOME é a culminação do prenúncio. Batidas clássicas londrinas, reimaginadas para o flow monótono e protocolar de Oakley, que se recusa a refinar ou a se reinventar, apoiando-se na mesma estrutura que vimos sempre: rimas furiosas sobre oposições, a ostentação do seu estilo de vida e a lealdade dos seus amigos, além, é claro, de reafirmar sobre o seu lema de como não precisamos apressar a grandeza. Os únicos momentos que podem causar um certo grau de interesse são “ICEMAN FREESTYLE”, que tem uma agradável linha de violino e um flow que remete bem ligeiramente aos tempos de 22 – é agressivo, mas com um apreço maior na lírica. A partir do minuto 1:20, no entanto, a faixa se torna repetitiva e perde o seu interesse prévio.

“MAKA” é o exemplo claro que vemos da protocolaridade de Cee em contraste com o outro lado da moeda. A2 ANTI soa refrescante e ofusca por completo o artista, mas não é algo que realmente vai te fazer repetir de faixa. O instrumental se molda conforme a entrega de A2, soando bem mais investido que Oakley. Mas não é algo que lhe faça repetir a música; soa mais como um alívio ao vermos um mero traço de originalidade. ALL ROADS LEAD HOME é a epítome da queda da leve criatividade que existia na carreira de Central Cee. Se o antigo projeto já era um sinal amarelo, aqui o sinal é vermelho e o carro se recusa a frear. Sim, vai haver um acidente, e a tragédia será a queda de popularidade iminente do londrino.

Selo: Columbia Records
Formato: EP
Gênero: Hip Hop

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