
★★
É por isso que, embora viaje por uma paleta distininta de esteticas fincadas na música eletrônica, com momentos em que as caixas explodem numa completa ausência de ruido seco, como em “incondicional”, o disco nunca adentra de fato num espaço de rave ou dance propriamente dito. É como se apoiasse nessas estéticas apenas para complementar o sentido narrativo de retomar algo – o som – já passado, mas com um verniz atual.
Pode ser um engano dar play aqui esperando uma combustão drum n bass e coisa do tipo, vez que i Music Listen nitidamente se inclina mais para tendências de pop DIY – com muitos arranjos de guitarra (“ tiempos violentos”) – do que de eletrônica DIY. O aparato vocal é submerso em efeitos de profundidade acústica, não como se fosse propositalmente criado a partir de distorções ou autotune, e sim está num caminho entre Bad Gyal e Isabella Lovestory, sem o reggaeton, é claro. “vivamos juntas”, com EMJAY parte de um arranjo de cordas e logo caminha para um dueto que avança diretamente para os anos 2000, talvez seja o ponto mais convincente de todo o álbum neste seu deslocamento nostálgico. Uma pena que o melhor momento da faixa seja quando ela acabe, quando o instrumental mais bagunçado toma conta.
É como se todas as músicas seguissem por essa mesma estrutura de conter sua extravagância no final, ou seja, começam de forma normal, com letras e melodias guiando o ritmo, mas que do meio pro final acabam sofrendo algum tipo de interferência no som, seja através do uso de glitches ou mesmo o uso de ritmos eletrônicos indefinidos. Isso não é um problema, mas se torna um a partir do momento em que tal estrutura se repete ao máximo, quase diluindo a imprevisibilidade que i Music Listen detém com força. Acaba, no fim das contas, dando a impressão de que o projeto não sabe como organizar sua investida por efeitos de bateria mais densos ou algo simbolicamente mais abrasivo. E fica nisso.
Selo: Virgin Music México
Formato: LP
Gênero: Pop / Indie Pop