Singles (01/04)



Com Alice Caymmi, Nia Archives, Luísa Sonza, FLO, Ashura e MIKE & Earl Sweatshirt.

Neste quadro, o aquele tuim reúne um apanhado de críticas curtas sobre alguns dos principais singles lançados. A seleção comumente varia na quantidade de músicas e artistas, funcionando como uma recomendação direta e ao ponto para os nossos leitores!



“Modinha Para Gabriela” - Alice Caymmi

★★★


Reinterpretando a obra de seu avô, Alice atualiza a canção e imprime sua personalidade numa composição que atravessa a história da nação: encomendada como trilha sonora da novela “Gabriela” (1975), inspirada em Jorge Amado e eternizada na voz de Gal. A ousadia de mexer numa peça fundamental da cultura brasileira e atualizá-la para o território de um reggae reencarna a música com toda sua personalidade. - gambito de rafinha



“Danger” - Nia Archives

★★★


Centralizar o mote principal da música numa associação de soletração com letras explicitamente sensuais pode ser arriscado pelas chances de beirar o ridículo, mas Nia Archives sustenta essa faceta do mesmo jeito envolvente que caracterizou o mais romântico Silence is Loud. Sua abordagem mais acessível do jungle continua sendo uma das propostas mais interessantes e criativas da música pop hoje. Se PinkPantheress aborda o drum ‘n’ bass de uma maneira mais cristalina e dançante, Nia é o lado hedonista, sexual e perigoso do gênero. Dois lados de uma moeda extremamente valiosa - João Pedro Leopoldino



“Telefone” - Luísa Sonza



Tinha tudo pra ser uma nova “MOTINHA 2.0 (Mete Marcha)”, mas acaba sendo a mesma música dela de sempre. O beat não conversa com a voz, que vem cheia de firulas e em uma forma de cantar semelhante à de participantes do The Voice. Não orna. Ela precisa entender que, pra cantar no funk, não dá pra fazê-lo como em uma gravação padrão de estúdio, cheia de tratamento. - Matheus José



“Leak It” - FLO

★★

Não tem a mesma naturalidade, tampouco a sutileza, ao lidar com a nostalgia Y2K que definiu o repertório das meninas até aqui. Pela primeira vez, parece que elas estão correndo atrás da estética: o instrumental é o dance-pop mais “anos 2000 type beat” possível e a letra é recheada de ganchos prontos para desencadear virais no TikTok. Talvez seja um prato cheio para os fãs de pop, e, certamente, é mais digno do que qualquer baboseira lançada pela Tate McRae nos últimos anos, mas a régua é bem baixa. - Marcelo Henrique



“DISSONÂNCIA” - Ashura

★★★★


Os quase seis minutos de “DISSONÂNCIA” não dão espaço para nada além do tremelique que Ashura causa, numa combinação gelatinosa de vocais distorcidos, glitches e batidas frescas que emulam um verdadeiro farfalhar de texturas. O instante em que o nome da música se repete ao longo de partes estratégicas da sua duração, e cuja repetição é levada ao limite, dita o tom explosivo que assume, inclusive em sentido temático. Ou seja, é a distorção da distorção atingindo o limite do limite, especialmente quando se cria uma espécie de ponte que interliga o começo e o fim da música. Leia a crítica completa clicando aqui. - Matheus José



“Leadbelly” - MIKE & Earl Sweatshirt

★★★


Mas, ao nos mostrarem“Leadbelly”, que se colocará na parte de Earl, finalmente vemos as duas forças juntas em uma faixa instrumental sombria e árida, usando sintetizadores e efeitos sonoros como uma espécie de contagem de dinheiro, simulando algo quase drumless. A música é viciante e cativante, principalmente pelos flows que se completam de forma despretensiosa e natural. A voz mais grossa de Mike contrastada com a voz mais lenta e letárgica de Earl mostra um belo gosto do que seria um álbum deles: repleto de química. “Leadbelly” é, de longe, o material mais empolgante que liga ambos os artistas nessa nova fase e dá o melhor aperitivo possível para o que pode ser tido como o projeto mais denso de hip hop do ano. Mesmo com uma empolgação controlada, vejo ambos artistas entregando o melhor possível no que pode ser uma expansão ainda maior do hip hop underground e progressivo. - Gabriel Hurtado
Aquele Tuim

experimente música.

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