Crítica | Floorpunch


★★

Floorpunch começa de forma um tanto formulaica. As batidas se dividem em dois espaços: um que compreende a base (caixas rápidas e absurdamente secas) e outro as melodias que saem por cima (timbre repetitivo, típico do techno fixado em poucas variações). Esse começo, encabeçado por “Floorpunch”, dita os rumos que o EP vai tomar, e com o que ele vai se parecer. Vou além: mostra o que ele de fato é.

E é na transição com a segunda faixa, “Drum Tumbler”, que Floorpunch acaba crescendo ainda mais. As caixas, antes presas à base, agora parecem pular, saltar para a frente do EP. Neste ponto, o techno adere a uma textura dada por tambores e ritmo sincopado que, ao invés de caminhar para o house, gera o que se chama aqui de tribal techno, mistura por muitas vezes improvável. O resultado é uma concentração de repetição e estrutura rave que percorre toda a duração da música, de longe a melhor do EP.

O mais engraçado, é que das três faixas, duas seguem por este caminho. Flerta com outros estilos em pouquíssimos minutos de duração, e é o suficiente para Les Vins criar algumas das melhores sequências de eletrônica instrumental de 2026 até agora. É o tipo de som que reúne tudo o que há de melhor na vanguarda dance da música eletrônica mundial, pra não dizer global e limitar o alcance deste que é um dos discos mais empolgantes do ano.

Selo: Independente
Formato: EP
Gênero: Eletrônica / Techno

Matheus José

Graduando em Letras, 25 anos. É editor do Aquele Tuim, em que integra as curadorias de Funk, Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

Postagem Anterior Próxima Postagem