Crítica | Queen II (2026 Mix)



Em fevereiro de 1991, Jim Farber, da Entertainment Weekly, deu nota C, equivalente a um 50/100 no Metacritic hoje, ao disco Queen II, e escreveu: “Too much art-rock.” Claro que para os fãs da banda, sempre saudosistas, qualquer tipo de confronto ao que eles eram é um verdadeiro disparate. Queen é uma banda que ainda permeia o imaginário daquele estereótipo do Tio do Pavê. E, quando se é criança o bastante para se ver influenciado por este tio no almoço de família, você passa a concordar que o Queen é tudo de bom.

Mas, quando crescemos, vem a verdade. Queen é muito ruim. O relançamento de Queen II, de 1974, é só a ponta do iceberg. Nas 11 músicas, a banda parece se contentar em fazer a mesmíssima coisa. É entediante, pra dizer o mínimo. Mesmos os discos mais ou menos deles, como A Night at the Opera, de 1975, ainda tem alguma coisa pra se deixar levar, é o caso de “Bohemian Rhapsody”, uma música que, depois que você cresce, também perde a graça.

“Ogre Battle” segue firme, pelo menos, como sendo uma grande canção no universo canônico da banda. É uma faixa que expele o melhor da caricatura deles; é teatral o suficiente para surgir com um coral e riffs distorcidos que parecem chacoalhar e erguer a poeira do chão. As variações vocais de Freddie Mercury, contrastada por backing vocals que parecem duelar com a guitarra, são um verdadeiro charme.

“The March of the Black Queen”, com dedilhados solitários de piano em sua extensa introdução, também desponta um nítido interesse pelo glamour instrumental que o Queen tornou sua marca. A questão, é que todos esses grandes elementos são usados, reutilizados e desgastados o tempo inteiro. É como quando algo que você sempre desejou perdesse o brilho depois de conquistar, porque a emoção de saber que esse requinte existe aqui é maior do que de fato ouvir até se empanturrar.

Selo: Universal International Music B.V.
Formato: Relançamento
Gênero: Rock / Art Rock, Glam Rock

Matheus José

Graduando em Letras, 25 anos. É editor do Aquele Tuim, em que integra as curadorias de Funk, Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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